FAPESP e CNPq vão apoiar a formação de novas redes de excelência em pesquisa
FAPESP E CNPq ABREM CHAMADA PARA REDES DE PESQUISA COM INVESTIMENTO DE ATÉ R$ 2,5 MILHÕES POR PROJETO
Parceria vai financiar criação de agrupamentos de excelência científica com duração de até um ano
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) iniciaram uma nova rodada de financiamento voltada à constituição de agrupamentos especializados em pesquisa de ponta. A iniciativa ocorre dentro do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex-CNPq) e prevê a alocação de até dois milhões e meio de reais para cada iniciativa selecionada.
A proposta busca catalisar a formação de grupos compostos por pesquisadores de diferentes instituições que trabalhem de maneira integrada, ampliando o alcance e a profundidade das investigações científicas. As redes terão duração máxima de doze meses e deverão estar aderentes aos eixos científicos que as agências consideram prioritários para o país no período compreendido entre 2026 e 2028.
Objetivos e áreas prioritárias da iniciativa
A criação dessas redes de colaboração entre pesquisadores visa estimular diversos aspectos do desenvolvimento científico e tecnológico. Entre os propósitos estão a formação e capacitação de recursos humanos com elevado nível de qualificação, o incentivo à realização de pesquisas que atuem nas fronteiras do conhecimento científico, o reforço das estruturas disponíveis para o trabalho de investigação e a consolidação de equipes que possam se firmar como referências dentro de seus respectivos campos de atuação.
Os projetos propostos precisam estar alinhados com sete eixos estratégicos identificados pelas agências. O primeiro compreende o campo da biotecnologia, área que engloba desde a modificação genética até o desenvolvimento de biofármacos. O segundo aborda a transição energética, tema fundamental para a redução da dependência de combustíveis fósseis. O terceiro reúne pesquisas sobre biodiversidade, métodos sustentáveis de produção agrícola e garantia de segurança alimentar.
O quarto eixo foca na transformação digital e no desenvolvimento de inteligência artificial, reconhecidos como vetores de mudança nas mais variadas áreas. O quinto orienta-se para as ciências e tecnologias quânticas, campo emergente com potencial de revolucionar computação e comunicações. O sexto busca fortalecer investigações em saúde humana e animal, enquanto o sétimo direcionase para temas de violência urbana e segurança pública, desafios relevantes para a sociedade brasileira.
Composição das equipes e requisitos para participação
As redes devem ser estruturadas com uma hierarquia definida de pesquisadores. Um integrante funcionará como Pesquisador Responsável (PR), sendo a figura central de coordenação. Além disso, é exigido um mínimo de quatro Pesquisadores Principais (PPs) para cada grande área do conhecimento que integre a proposta. Essa exigência garante a multidisciplinaridade e a profundidade do trabalho.
Uma condição importante é que entre os Pesquisadores Principais deve haver, obrigatoriamente, pelo menos um com experiência comprovada em transição digital e inteligência artificial. Essa requisição reflete a importância que as agências atribuem à transformação tecnológica e digital como ferramenta transversal capaz de potencializar investigações em diversos campos científicos.
As áreas de expertise de todos os pesquisadores envolvidos precisam ser distintas e, fundamentalmente, devem demonstrar a constituição de colaborações inéditas. Essa diretriz impede a simples reunião de grupos que já trabalham juntos, incentivando efetivamente o surgimento de novas conexões e sinergiascinema científicas.
Há também uma restrição institucional: o Pesquisador Responsável e todos os Pesquisadores Principais devem estar vinculados a instituições diferentes, ou, no mínimo, a unidades acadêmicas distintas dentro de uma mesma organização. Essa regra evita concentração de recursos em um único ponto e promove a descentralização do conhecimento.
Um requisito administrativo frequentemente negligenciado diz respeito aos auxílios vigentes. O PR e todos os PPs devem ser responsáveis por uma pesquisa já em andamento na FAPESP há no mínimo seis meses contados a partir da data de início da proposta aprovada. Esses projetos vigentes podem estar enquadrados em modalidades diversas, como Projeto Temático, Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), Centros de Pesquisa Aplicada (CPA), Núcleos de Pesquisa em Oportunidades Inovadoras (NPOP), Pesquisa Direcionada a Inovação e Produção (PDIp) ou Centros de Caracterização e Desenvolvimento de Materiais (CCD).
Complementando essa exigência, os auxílios já em execução precisam necessariamente se sobrepor por seis meses com o período de vigência da rede financiada. Essa sobreposição será objeto de análise no mérito durante a avaliação das propostas submetidas.
Estrutura financeira e prazos de submissão
Cada projeto selecionado receberá um orçamento total de dois milhões e meio de reais. Esse montante representa investimento significativo no fortalecimento da pesquisa científica brasileira. A distribuição dos recursos segue uma proporção predeterminada: sessenta por cento deverá ser destinado a despesas de custeio (tais como bolsas de estudos, material de consumo, passagens e hospedagens), enquanto quarenta por cento destina-se a despesas de capital (equipamentos e instalações permanentes).
Ambos os percentuais estão submetidos às normas regulatórias vigentes da FAPESP e do CNPq, assegurando conformidade com a legislação e os procedimentos administrativos estabelecidos por essas organizações.
Os pesquisadores interessados em participar da chamada devem submeter suas propostas até o décimo sexto dia de outubro. O procedimento ocorre por intermédio do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), plataforma digital onde a FAPESP e o CNPq concentram suas chamadas de financiamento. Esse sistema permite a submissão segura e organizada de documentações científicas.
Contexto: Por que novas redes de excelência
A constituição de redes de pesquisa representa uma estratégia reconhecida internacionalmente para potencializar a produção científica. Em vez de financiar pesquisadores isolados, as agências optam por apoiar colaborações estruturadas, sabendo que a interdisciplinaridade e a integração institucional frequentemente geram descobertas mais relevantes e aplicáveis.
A FAPESP, instituição criada em 1962, e o CNPq, fundado em 1951, complementam-se na promoção da ciência e tecnologia no país. Enquanto a FAPESP concentra-se principalmente em pesquisa no estado de São Paulo, o CNPq atua em âmbito nacional. Juntas, as agências definem prioridades científicas que dialogam com desafios sociais e econômicos brasileiros, desde a segurança alimentar até a transformação digital.
O Pronex, iniciado em 1996, consolidou-se como instrumento para identificar e ampliar grupos com potencial de se tornarem líderes em suas áreas. A nova chamada para redes de excelência segue essa lógica, buscando acelerar a maturação de agrupamentos multidisciplinares capazes de gerar impacto científico e social.
Os eixos estratégicos eleitos para 2026-2028 refletem diagnósticos sobre as demandas tecnológicas e científicas do Brasil e do mundo. A transição energética, por exemplo, tornou-se imperativa diante da mudança climática. A biotecnologia é vista como ferramenta para desenvolvimento sustentável. A inteligência artificial e a computação quântica representam fronteiras de inovação onde poucos países possuem capacidade competitiva consolidada.
O que acompanhar
Os desdobramentos dessa chamada merecerão atenção nos próximos meses. Em primeiro lugar, observar-se-á o número e a qualidade das propostas submetidas até o prazo de dezesseis de outubro. Esse dado indicará o nível de engajamento da comunidade científica com a oportunidade de financiamento.
Posteriormente, a avaliação das propostas pelos pares revelará quais áreas e instituições conseguiram estruturar redes verdadeiramente multidisciplinares e inovadoras. Os resultados da seleção demonstrarão também se a exigência de expertise em transição digital e IA foi satisfeita e como os pesquisadores a integraram em seus projetos.
Durante os doze meses de vigência das redes aprovadas, será relevante acompanhar os resultados preliminares. Publicações científicas, formação de mestrandos e doutorandos, e a consolidação de infraestruturas compartilhadas serão indicadores do sucesso das iniciativas. Ao término, a avaliação final fornecerá subsídios sobre a efetividade da estratégia de redes de curta duração como mecanismo de aceleração da pesquisa científica.
Principais pontos:
• FAPESP e CNPq abrem chamada para financiar redes de excelência em pesquisa com duração máxima de doze meses, oferecendo até dois milhões e meio de reais por projeto aprovado.
• As redes devem estar aderentes aos sete eixos estratégicos para 2026-2028, incluindo biotecnologia, transição energética, biodiversidade, transição digital e inteligência artificial, tecnologias quânticas, saúde e segurança pública.
• A composição exigida inclui um Pesquisador Responsável e no mínimo quatro Pesquisadores Principais por grande área, sendo obrigatório um com expertise em transição digital e IA, todos de instituições diferentes ou unidades distintas.
• As propostas devem ser submetidas até dezesseis de outubro pelo Sistema de Apoio à Gestão, com recursos divididos em sessenta por cento para custeio e quarenta por cento para capital.
Resumo reescrito automaticamente pelo 5News a partir da matéria original. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.