Endividamento recorde leva argentinos às ruas contra juros abusivos e política econômica de Milei
Linha Direta Endividamento recorde leva argentinos às ruas contra juros abusivos e política econômica de Milei Publicado em: 21/08/2026 - 15:19
Ouvir - 08:07 Nesta semana, uma série de protestos contra bancos e carteiras virtuais tem levado às ruas um problema que ganhou proporções históricas: 20,8 milhões de argentinos, o equivalente a 95% da população economicamente ativa, estão endividados. Destes, seis milhões estão inadimplentes, equivalente a 30%. Por trás do problema, a perda acelerada do poder de compra dos argentinos que recorrem ao crédito para comer e pagar contas de serviços básicos. O presidente Javier Milei diz que “o problema é da esfera privada” e que “ninguém colocou uma pistola na cabeça dos devedores”, mas não impede juros de até 1.375% ao ano, um número 40 vezes maior do que a inflação anual.
Nos últimos 20 meses, a inadimplência no sistema financeiro tem crescido de forma acelerada e assustadora, a ponto de, nesta semana, ganhar forma de protestos populares.
O problema afeta quase 21 milhões de argentinos, o equivalente a 95% da população economicamente ativa. Destes, seis milhões estão inadimplentes, o equivalente a 30%, e metade deles é considerada “irrecuperável”.
Dentro do sistema financeiro, são 26,1% de inadimplentes, representando 17,5% de todos os empréstimos, um número que multiplica por sete o de dois anos atrás. Para se ter uma ideia da magnitude do problema, em outubro de 2024, a inadimplência era de 2,5% de todos os empréstimos.
Um quarto da massa salarial do país está comprometida com a inadimplência.
Os argentinos devem aos bancos, às carteiras virtuais, aos cartões de crédito, aos sistemas de crédito dos supermercados e aos agiotas do bairro.
Os empréstimos foram para gastos básicos como comprar comida, pagar luz, gás, água. São montantes relativamente baixos, mas que se tornaram impagáveis devido a uma combinação explosiva de redução do salário, perda do emprego, aumento do custo de vida e taxas de juros estratosféricas.
No setor bancário, os juros vão de 55% a 172%, enquanto nas carteiras virtuais, sobem a 260%, mas há custos financeiros encobertos e elevam as taxas para 400%, 700% e até de 1.375%. A principal vilã para os juros exorbitantes é a Fintech argentina MercadoPago, que também atua no Brasil.
Nessas carteiras virtuais, com taxas consideradas excessivas, a inadimplência é de 31,5%. Nos sistemas de crédito dos supermercados, chega a 50%. Todos esses números são de créditos a pessoas físicas.
Quando se engloba os créditos às empresas, a inadimplência de todo o setor privado é de 7,6% do total, fazendo da Argentina o país com mais inadimplentes na América Latina. Como comparação, o Brasil tem 3,9%, um número alto, mas menos da metade da Argentina, segundo o Banco Mundial.
Esses números revelam o desespero das pessoas, a preocupação do sistema bancário, a impossibilidade de reativar o consumo na Argentina e as taxas abusivas de bancos e de carteiras virtuais.
Por isso, nesta sexta-feira (21), às 15 horas, haverá um protesto no depósito de mercadorias da empresa MercadoLivre na cidade de La Matanza, na periferia de Buenos Aires.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.