Milhares marcham na Argentina contra crise do endividamento do governo Milei
Em meio à grave situação econômica enfrentada pela classe trabalhadora na Argentina, milhares de pessoas marcharam nesta quinta-feira (20/08) até o Ministério da Economia para exigir uma resposta do governo de Javier Milei à crise do endividamento familiar, que, segundo dados do Banco Central, afeta cerca de 5,8 milhões de pessoas com empréstimos não pagos ou com atrasos significativos.
O protesto foi convocado pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), pelas duas CTAs (dos Trabalhadores e Autônomos), pelo Sindicato dos Trabalhadores da Economia Popular (UTEP) e por organizações de “devedores auto-organizados”.
Diferentemente de outros protestos recentes, esta mobilização foi marcada pela presença de um novo ator social: pessoas que se organizaram após descobrirem que sua angústia individual com as dívidas era, na realidade, um fenômeno coletivo. Sob o lema “Não é individual, é coletivo”, o grupo auto-organizado Devedores Organizados juntou-se à marcha sindical para exigir limites nas taxas de juros.
Organizações estimam que cerca de 20 milhões de pessoas na Argentina têm algum tipo de dívida com instituições financeiras, das quais 6 milhões se encontram em situação crítica. Em comunicado, a CGT (Confederação Geral do Trabalho) explicou o fenômeno: “As famílias argentinas se endividam para poder viver, pagar o aluguel, comprar comida, cobrir as contas de luz e gás ou arcar com as despesas básicas do lar.”
Cristian Jerónimo, co-secretário-geral da CGT, apontou diretamente para o governo: “Há dois culpados aqui, dois responsáveis: o Presidente e o Ministro da Economia. Eles estão implementando uma política de austeridade completamente regressiva que sufoca os salários dos trabalhadores, destrói o consumo e paralisa todo o sistema produtivo.”
Por sua vez, Hugo Godoy, secretário-geral da CTA Autónoma, relacionou a crise da dívida à queda no emprego formal: “Já foram destruídos 340 mil empregos formais e quase 30 mil empresas continuam fechando”.
Pelo Gabinete de Administração dos Trabalhadores, o Subsecretário Roberto Baradel salientou que o fenómeno não se limita às famílias: inclui também “o problema do endividamento […] das pequenas e médias empresas, que têm dívidas com bancos ou carteiras virtuais”.
Norma Morales, secretária-adjunta da UTEP, concentrou-se nas mulheres dos bairros operários: “Quem cuida de nós, que nos endividamos para sustentar nossas comunidades nesses bairros?”, perguntou, acrescentando: “A dívida não é um problema individual, é uma dívida coletiva. Um povo sobrecarregado por dívidas é consequência de políticas governamentais que defendem os poderosos, que nunca perdem”.
Em declarações à imprensa, Jorge Sola, secretário-geral da CGT, definiu a situação como uma “pandemia de endividamento” e sublinhou: “Não se trata de uma questão entre particulares”, numa referência direta à posição do presidente de extrema-direita Javier Milei.
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