Indústria de pneus vive maior crise da história com perda para importados, diz CEO da Bridgestone
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A indústria nacional de pneus enfrenta a maior crise da sua história sob o peso da enxurrada de produtos asiáticos que invadiram o mercado brasileiro nos últimos anos, afirma o presidente da Bridgestone no Brasil, Lafaiete Oliveira, ao C-Level Entrevista.
Nos últimos cinco anos, os pneus importados de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas abocanharam uma fatia de 70% do mercado no segmento —antes, eram 30%—, e o mercado de pneus de passeio seguiu caminho semelhante.
"Nós estamos na maior crise do setor pneumático da história do Brasil. Se o [mercado do] Brasil começa a diminuir de uma tal maneira que fecha as fábricas de pneus de caminhões, a gente vai ficar extremamente dependente de um insumo que é estratégico", afirma o executivo da multinacional de origem japonesa.
A indústria de pneus procurou o governo neste ano para pedir elevação do imposto de importação, além de outras medidas antidumping que possam conter a entrada de pneus fabricados na Ásia .
Lafaiete diz que, por enquanto, as exportações da empresa aos Estados Unidos estão ajudando a compensar o mercado interno perdido, embora a empresa já tenha paralisado uma fábrica de pneus agrícolas no início de 2025.
Segundo o executivo, o tarifaço aplicado pela Casa Branca em julho pode reduzir as encomendas da matriz americana, e a empresa não descarta demissões caso o governo federal não freie a entrada de produtos asiáticos.
"Manter todos os empregos depende muito dessas condições, sem sombra de dúvida", afirmou.
A Bridgestone opera quatro fábricas no Brasil, a mais antiga delas em Santo André, no ABC Paulista, que foi fundada em 1940 e hoje produz pneus de carga para caminhões e ônibus. A empresa conta com 4.300 funcionários contratados diretamente e é dona das marcas Firestone e Bandag, de recapagem de pneus.
Como está a produção da Bridgestone nas quatro plantas brasileiras? A empresa tem capacidade ociosa? Nós investimos R$ 2 bilhões nos últimos cinco anos para fazer a reorganização da pegada fabril, com expansão de produção e modernização das fábricas. Por motivo de compliance, não posso falar exatamente quanto produzimos, mas sim, estamos com capacidade ociosa. 50% do nosso negócio é o mercado de reposição [venda de pneus no varejo], em que houve uma desestabilização muito abrupta nos últimos anos.
A empresa expandiu a capacidade exportadora e projetou, no ano passado, vender 600 mil pneus por ano aos Estados Unidos. Essa expectativa se realizou? Temos mantido os nossos acordos com a operação americana [da Bridgestone] na volumetria. A gente não chegou no que esperávamos, está um pouco menor, mas temos mantido nosso acordo.
A culpa é das tarifas? Não. Outros fatores do mercado americano também influenciaram, não somente as tarifas.
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As tarifas da Seção 301 são recentes, foram aplicadas em julho. Existe um risco de que a matriz americana cancele encomendas ou reduza o volume de compras da Bridgestone do Brasil? Esse risco existe, é claro. [Mas ainda] não aconteceu.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Mercado.