Empreendedora indígena conta história de produção rural e venda de café artesanal em podcast
O podcast CoffeePub teve uma edição especial, gravado no município de Pacaraima, na Comunidade Indígena Kauê, com a empreendedora e produtora rural Ana Karolliny, de 25 anos, descendente do povo macuxi.
A jornalista e apresentadora Marleide Cavalcante mediou a conversa sobre a iniciativa pioneira que vem transformando o cenário agrícola e empreendedor do estado, o Café Imerú, projeto liderado pela jovem.
O que começou como um experimento familiar em uma região historicamente sem tradição na cafeicultura transformou-se na primeira marca de café com produção própria e cultivo de grãos Arábica orgânicos em solo roraimense.
Antes do surgimento do Café Imerú, os planos de vida de Ana Karolliny apontavam para os estudos universitários e uma rotina urbana longe da comunidade.
No entanto, o vínculo com a terra e o incentivo dos pais mudaram essa trajetória.
A relação com o solo veio das memórias de infância, quando acompanhava o pai na roça de subsistência.
As práticas agrícolas tradicionais aprendidas com os antepassados revelaram-se, mais tarde, um verdadeiro sistema agroflorestal orgânico.
Aos 15 anos de idade, vieram os primeiros pés de café, plantados de forma 100% natural com adubação de esterco do próprio sítio e irrigação manual.
“Eu não imaginava que iria trabalhar como produtora rural ou me apaixonar pelo empreendedorismo.
O Imerú virou um propósito na minha vida.” Produzir café da espécie Arábica em Roraima sempre foi visto como um desafio devido às altas temperaturas médias do estado.
Contudo, a Comunidade Kauê conta com um fator geográfico privilegiado que favorece o cultivo: Altitude elevada: O plantio está localizado a 930 metros de altitude, proporcionando o microclima fresco essencial para o desenvolvimento do café Arábica.
Transição de biomas: O solo se beneficia da transição entre a floresta e o lavrado, garantindo matéria orgânica e nutrientes naturais.
Manejo artesanal e sustentável: Todo o fruto é reaproveitado na propriedade.
A casca rica em potássio passa por fermentação para adubar a própria lavoura, enquanto a polpa doce pode ser consumida in natura ou utilizada no preparo de chás (cáscara).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhabv.com.br — o conteúdo pertence a Folha de Boa Vista.