Avanço do crime organizado põe em xeque sentimento de Nação
Há exato um ano, em agosto de 2025, o Brasil destravou uma bomba no setor de combustíveis: a infiltração do crime organizado em uma das áreas mais estratégicas do país. A Operação Carbono Oculto demonstrou que quadrilhas organizadas, que antes se dedicavam exclusivamente ao roubo de cargas, tráfico de drogas e contrabando, vislumbraram no setor um caminho mais rentável e lucrativo para suas atividades ilícitas. Uma equação explosiva que atrasa o país e põe em xeque o sentimento do Brasil enquanto Nação.
No Rio de Janeiro, onde a questão da segurança pública já virou crônica, os dados são alarmantes. Nove operações realizadas pelas polícias Civil e Federal e pelo Ministério Público ao longo dos últimos dez meses colocaram sob suspeita mais de R$ 40 bilhões movimentados por redes de postos de combustível no Estado. Em outra linha de atuação – o combate à sonegação de impostos – a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-RJ) descobriu que 2.100 (95%) dos 2.205 postos do Rio apresentavam algum tipo de irregularidade. Entidades como o Instituto Combustível legal (ICL) acreditam que cerca de mil estabelecimentos no Estado (cerca de 50%) estejam sobre controle do crime organizado em suas diversas formas: jogo do bicho, milícias ou facções criminosas de diversas tendências.
O Rio é um microcosmo de um drama nacional. Dados levantados pela Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), mostram que, nos últimos três anos, foram importados 435 milhões de litros de metanol para adulteração de gasolina, gerando mais de R$ 1 bilhão de lucro para organizações criminosas. Os órgãos federais de regulação, controle e investigação estimam que o crime organizado obtenha cerca de R$ 146,8 bilhões por ano em quatro mercados legais: combustíveis e lubrificantes; bebidas; ouro e tabaco. Deste montante, R$ 61,5 bilhões vêm apenas do mercado de combustíveis e lubrificantes, o que representa cerca de 41,8% de toda receita criminosa das quadrilhas nacionais e transnacionais.
Somando sonegação, fraudes operacionais, adulteração de combustíveis, contrabando e lavagem de dinheiro, as perdas para o país passam de R$ 30 bilhões anuais. Mas os dados podem estar subestimados, podendo atingir o dobro desse valor, uma vez que muitas operações e investigações seguem em curso.
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