‘Aumentou a distância entre as dimensões do mal de cada candidato’, diz Pedro Parente
O ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso e ex-presidente da Petrobras no governo de Michel Temer Padro Parente não declara qual pode ser seu voto no segundo turno da corrida presidencial deste ano – “é uma decisão individual e solitária” – e dispara críticas a ambos os candidatos – “um não é nem um pouco preparado e o outro fez governos absolutamente desastrosos”, disse em uma entrevista à BBC Brasil publicada nesta quarta-feira, 14.
“Não tenho nenhuma simpatia por qualquer um dos candidatos”, acrescentou, sem dar os nomes do senador Flávio Bolsonaro, do PL, e do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT Ainda assim, o executivo – que já declarou em uma carta pública que não votaria em Flávio e, em um artigo recente, que não votou em nenhum dos dois – afirma que a percepção dos problemas que a gestão de cada candidato pode gerar, caso eleito, mudou de dimensão depois do resultado do segundo turno, em que o PL e os partidos de direita saíram com a maioria tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado .
“O que pode acontecer agora com um presidente que tenha também uma maioria importante nas duas casas?”, disse.
“Isso para mim é um dado novo.
E eu acho que aumentou a distância entre as dimensões do mal que cada candidato representa.
Agora tem um que realmente tem uma representação de risco para o país, dessa concentração de poder.
É bem mais relevante do que parecia ser antes do primeiro turno.” Pedro Parente, que é engenheiro, foi ministro da Casa Civil e de Minas e Energia nos governos de Fernando Henrique, quando coordenou a gestão da crise dos apagões energéticos que aconteceram em 2001, e, na presidência da Petrobras, com Temer, enfrentou a greve dos caminhoneiros de 2018., tendo passado, ainda, pela presidência da BRF depois.
Continua após a publicidade Em um posicionamento publicado em suas redes sociais um dia antes do primeiro turno, no sábado 3, e um dia depois de ter sido um dos citados em um extenso artigo de João Moreira Salles na revista Piauí criticando a omissão da elite em relação a Flávio Bolsonaro , o ex-ministro disse que “entrou com uma opinião e saiu com outra pior” após participar de um dos jantares com o postulante e que “não votará nele”.
Em outro artigo, publicado neste sábado, 10, em sua coluna no jornal O Globo, disse que não votou em nenhum dos dois.
“São quase 49 milhões de brasileiros, três em cada dez, que não deram seu voto a nenhum dos dois finalistas.
Estou entre eles”, escreveu, mencionando a soma total de abstenções, nulos, brancos e os votos nos demais concorrentes.
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