Entidade patronais afirmam que fim da escala 6x1 pressionará inflação
A adoção da jornada de trabalho de 40 horas semanais e o fim da escala 6x1, aprovados hoje (14) no Senado, podem pressionar a inflação, segundo entidades do setor produtivo. Elas alertam que o aumento do custo da mão de obra forçará o repasse aos preços, encarecendo produtos básicos como alimentos, roupas e calçados.
O Senado aprovou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1. A aprovação da medida consolida a jornada máxima de 40 horas semanais e o direito a duas folgas obrigatórias, abrindo uma queda de braço com os setores produtivos sobre os impactos econômicos das novas regras.
Os dois dias de repouso semanal remunerado encareceriam o custo do emprego formal no Brasil em 9,1%. O reajuste nos custos trabalhistas afetará inclusive as empresas que já operam sob a jornada semanal de 40 horas, uma vez que elas também serão obrigadas a conceder e remunerar o segundo dia obrigatório de folga, segundo avaliação conjunta assinada em manifesto divulgado no dia 6 de outubro por industriais e varejistas.
A indústria nacional calcula que a redução da jornada sem redução de salário causará retração no PIB (Produto Interno Bruto). A implementação da nova jornada custará R$ 267,2 bilhões para as indústrias, provocando uma queda estimada de 0,7% na economia do país, o equivalente a R$ 76,9 bilhões a menos no PIB nacional, segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Aumentos serão repassados para o consumidor. Os produtos registrarão alta média de 6,2% puxada pelo encarecimento de vestuário e itens básicos. Conforme projeções da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a elevação dos custos industriais resultará em um aumento de 5,7% nas compras de supermercados e de até 6,6% nos preços de roupas e calçados.
Comércio e serviços preveem impacto inflacionário ainda maior. A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) estima alta de pelo menos 13% na inflação após a aplicação das mudanças.
A redução de jornada no campo ameaçaria piorar a escassez de mão de obra no agronegócio. Cerca de 94,8% dos produtores rurais enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores agrícolas, gargalo que seria ampliado com a nova escala de trabalho, segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada ( Cepea / Esalq /USP) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Sem estimar inflação, o setor de transporte também prevê repasse. A CNT (Confederação Nacional do Transporte) projeta custo extra de R$ 11,9 bilhões com mão de obra para manter frotas e serviços em operação.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.