Seminário em BH apresenta mapa de saberes ancestrais de mulheres negras
Belo Horizonte – A preservação da memória cultural passa também pelo reconhecimento dos saberes transmitidos ao longo das gerações.
É com esse propósito que a AIC – Agência de Iniciativas Cidadãs apresenta, durante um seminário, o mapeamento de saberes e práticas ancestrais de mulheres negras .
O encontro será realizado neste sábado (29/8), às 9h30, no Conservatório UFMG, localizado na rua Guajajaras, 100, no Centro de Belo Horizonte .
A atividade marca uma das etapas de encerramento do projeto “Mulheres Negras, Cultura Ancestral: Núcleo de Formação e Memória em Belo Horizonte” .
“Fizeram parte das etapas do projeto, a pesquisa e mapeamento, cinco encontros de formação, e como contrapartida aulas virtuais sobre escrita de projetos e formalização para grupos de mulheres negras”, enumera Cláudia Magno, coordenadora de projetos da AIC.
Entre os conhecimentos identificados pela pesquisa está a atuação das mulheres congadeiras na preservação do Congado em Belo Horizonte.
Mesmo em períodos em que as guardas permitiam apenas a participação masculina, mulheres pretas tiveram papel essencial para a continuidade, a organização e a renovação da tradição .
Elas estiveram à frente de tarefas fundamentais para a realização das festas, como o preparo da alimentação coletiva, a confecção de roupas e uniformes, a limpeza dos espaços e a organização dos rituais.
Também foram responsáveis por ensinar às novas gerações os cantos, as orações, as novenas e a devoção a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia .
Outro conhecimento registrado pelo mapeamento está relacionado ao Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango, na região de Santa Efigênia, na região Leste de Belo Horizonte.
Liderado por mulheres negras, o local desenvolve ações permanentes destinadas à infância e à juventude.
Nesse trabalho, as mulheres atuam na preservação da identidade negra, no enfrentamento ao racismo estrutural e no fortalecimento dos vínculos comunitários.
“Foi lindo coordenar a construção do Núcleo de Formação e Memória e do Mapa de saberes ancestrais.
Nós, mulheres negras, fomos protagonistas na construção deste projeto.
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