Bolsa aciona circuit breaker após vitória de Lula; analistas explicam queda
A bolsa brasileira acionou o circuit breaker nesta segunda-feira, 26, após o Ibovespa registrar queda de 10% na primeira sessão depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com isso, as negociações na B3 foram interrompidas por 30 minutos.
O movimento ocorre em meio à forte reação dos investidores ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que contrariou as expectativas de parte do mercado financeiro.
Nas semanas anteriores à votação, a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) havia impulsionado a valorização dos ativos brasileiros, levando o Ibovespa a patamares próximos de 209 mil pontos e o dólar para abaixo de 5 reais.
Com a confirmação da reeleição de Lula, investidores passaram a rever suas posições, provocando uma onda de vendas de ações e pressão sobre a moeda americana e os juros futuros.
Segundo Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, o movimento já havia sido antecipado pelos ativos brasileiros negociados no exterior.
Durante as negociações noturnas, fundos que acompanham o desempenho da bolsa brasileira registraram perdas superiores a 15%, enquanto contratos futuros do real apontaram uma desvalorização próxima de 10%, levando a cotação implícita do dólar para a faixa de 5,50 a 5,60 reais.
“O cenário atual combina desfazimento de posições, reprecificação de risco país e baixa liquidez imediata”, afirma Uarian.
Continua após a publicidade Por que a bolsa caiu tanto? A forte desvalorização do Ibovespa está relacionada à revisão das expectativas dos investidores após o resultado eleitoral.
Parte do mercado havia ampliado sua exposição a ações brasileiras apostando em uma mudança na condução da política econômica, o que contribuiu para a valorização expressiva da bolsa nas últimas semanas.
Com a vitória de Lula, essas posições começaram a ser desfeitas, ampliando a pressão de venda sobre as ações.
Para Uarian, a correção foi intensificada pela concentração de investimentos em setores sensíveis aos juros e ao consumo doméstico, além da possibilidade de reversão do fluxo de capital estrangeiro.
Continua após a publicidade Na avaliação de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a reação também reflete as dúvidas sobre a condução das contas públicas no próximo mandato.
“O principal problema não é simplesmente o resultado eleitoral, mas a incerteza sobre a condução das contas públicas”, afirma.
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