O que esperar da bolsa até o fim do ano após a reeleição de Lula?
O tombo histórico da bolsa no primeiro dia de negócios após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou a cautela no mercado e fez analistas cortarem as projeções para o Ibovespa no fim do ano.
Se nada mudar no discurso do governo petista sobre as contas públicas, o índice pode amargar uma perda adicional de 7,5% em relação ao fechamento de ontem.
A desvalorização das ações foi tão rápida e intensa na segunda-feira (25), dia seguinte ao segundo turno, que a bolsa precisou acionar o circuit breaker - uma espécie de trava de emergência que interrompe as negociações quando o Ibovespa cai 10%.
Nos Estados Unidos, o fundo que reúne as principais ações brasileiras negociadas em Nova York, o ETF EWZ, chegou a cair mais de 25%.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a explicação para essa reação de pânico se ancora em dois fatores: a frustração de quem apostava na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), o que exigiu a venda apressada de papéis, e a cobrança de um "prêmio de risco" maior para investir no Brasil.
“O descompasso entre o resultado eleitoral consolidado e o que já estava precificado na bolsa gerou um movimento generalizado de fuga para ativos de proteção e liquidez, provocando a disparada do dólar enquanto o mercado aguarda sinalizações mais claras do governo para recalcular suas perspectivas”, analisa Nossig.
Em termos mais simples, quando o mercado percebe que o governo pode gastar mais do que arrecada sem uma regra clara para segurar as contas (uma âncora fiscal), o risco do país sobe.
Com isso, o dólar fica mais caro, os juros futuros sobem e o valor das empresas na bolsa cai.
Depois de um choque como o de ontem, Nossig pondera que o cenário mais provável para a bolsa até o fim do ano é a busca por um novo ponto de equilíbrio, diante da permanência do governo petista.
“Historicamente, cenários pós-eleitorais marcados por intensa volatilidade tendem a ser sucedidos por uma estabilização assim que a pressão vendedora inicial se esgota”, comenta.
Mas, para que essa recuperação de fato aconteça, tudo vai depender do novo mandato do governo Lula e de sua relação com o mercado.
Os investidores vão acompanhar de perto, principalmente, a escolha dos nomes para a futura equipe econômica e as diretrizes para o controle da dívida pública.
“Se houver acenos claros de responsabilidade fiscal e moderação, os investidores tendem a aproveitar os preços excessivamente descontados dos ativos para remontar posições”, avalia Nossig.
Por outro lado, caso a retórica do novo mandato aponte para a ausência de âncoras fiscais, o choque eleitoral pode se prolongar, mantendo a bolsa sob pressão.
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