Investigado por diversos crimes, Flávio Bolsonaro leva Brasil ao precipício autocrático
Após terminar o primeiro turno das eleições presidenciais na frente, com 47,03% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro (PL) destaca-se como o favorito para subir a rampa do Palácio do Planalto em 5 de janeiro próximo.
A alta porcentagem de votos obtida pelo parlamentar demonstra que o componente ideológico, impulsionado pelo alto nível de polarização na política brasileira, corroeu o senso ético público e ultrapassou os princípios da moral republicana, caracterizada pela preocupação com o “bem comum”.
Talvez uma maior explicação da sentença acima se faz necessária: desde a Roma Antiga e, com maior ênfase, desde os humanistas italianos nos séculos 14 e 15, a ideia de República se fundamenta a partir da elevação da preocupação com aquilo que é público, portanto, “comum a todos”, em detrimento dos interesses particulares.
Nada mais contraditório com o histórico de Flávio Bolsonaro, investigado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros crimes relacionados ao caso Dark Horse , filme baseado na história de seu pai, o golpista Jair, e financiado pelo ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas A moral republicana também estaria em desacordo com outra característica dos Bolsonaro: a lógica de clã, que usa da política como meio de vida e cabedal para seus interesses familiares, elegendo sistematicamente parentes que parecem não possuir qualquer know how político e tampouco se interessam pela “coisa pública”.
Nesse sentido, a atuação política da famiglia é capaz de nos fazer duvidar de outro conservador: o ilustre espanhol José Ortega y Gasset, que em seu clássico livro A rebelião das massas afirmava que a democracia liberal conservava algo da aristocracia em sua essência, pois tinha a capacidade de selecionar os melhores.
O livro de Ortega y Gasset foi publicado em 1930 e, naquela época, o filósofo criticava a massificação da política observada a partir da ascensão do comunismo e do fascismo.
Uma leitura válida para os dias atuais, nos quais estamos cada vez mais próximos de nos tornar uma autocracia.
Nos últimos anos, o livro Como as democracias morrem , de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, tornou-se bastante conhecido, em decorrência do que vem ocorrendo no mundo e no Brasil.
Seria, portanto, infrutífero entrar em detalhes aqui.
Em linhas gerais, os autores demonstram como as democracias vêm sendo corroídas por dentro, a partir da iniciativa de políticos autoritários e da incapacidade das instituições em sustentar o “sistema de freios e contrapesos” ( checks and balances ).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.