Argentina elimina 241 mil empregos e futuro de Milei na política fica em risco
A economia argentina apresenta alguns dos resultados mais importantes do programa de Javier Milei : a inflação despencou em relação ao patamar de três dígitos herdado pelo presidente, o governo eliminou o déficit fiscal e a atividade voltou a crescer.
Mas há um indicador que continua destoando dessa recuperação: o emprego formal.
Desde que Milei assumiu a Presidência, a Argentina perdeu cerca de 241 mil postos de trabalho assalariados registrados no setor privado, uma redução de aproximadamente 4%.
No mesmo período, o número de empresas com empregados registrados também encolheu.
O resultado é um mercado de trabalho que se recupera de forma desigual e no qual parte dos argentinos que deixam o emprego formal acaba migrando para atividades informais ou por conta própria.
Essa dinâmica pode se transformar em um dos principais problemas políticos de Milei até a eleição presidencial de 2027.
A estabilização dos preços diminuiu o peso da inflação na avaliação econômica do governo.
Em seu lugar, emprego, renda e capacidade de consumo passaram a ganhar importância. + Mercado perde a paciência com Milei e risco-país dispara na Argentina Continua após a publicidade A contradição nos números do emprego O governo argentino contesta a interpretação de que Milei esteja destruindo empregos.
Em discurso neste ano, o próprio presidente reconheceu a perda de 241 mil empregos assalariados formais, mas afirmou que a economia criou vagas quando considerados trabalhadores informais e autônomos.
Segundo Milei, a queda de 241 mil postos formais foi mais do que compensada pelo aumento de trabalhadores independentes e informais, levando a um saldo positivo no número total de ocupados.
Continua após a publicidade A diferença é importante porque os dois fenômenos podem ocorrer simultaneamente.
De um lado, o país pode ter mais pessoas trabalhando.
De outro, pode haver menos trabalhadores com emprego formal, salário registrado e acesso à proteção previdenciária e trabalhista.
É justamente essa mudança na composição do mercado de trabalho que preocupa economistas.
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