Lúcia só queria cuidar da última morada de Nena, mas perde a luta para ladrões
Essa não é mais uma história de vandalismo no Cemitério Santo Antônio, mas sobre o carinho de Maria Lúcia Fidelis Salomão, 66 anos, por dona Nena.
A sogra partiu e ela só queria cuidar com esmero da última morada de quem lhe deu tanta atenção em vida.
Mas a depredação no cemitério, que se repete dia após dia, diante dos olhos insensíveis do poder público (responsável pelo local) e da polícia (a quem cabe investigar crimes), impede que Lúcia mantenha a capela em ordem.
Ela conta que até reforçou a segurança do túmulo, que recebeu grades na porta de vidro e nas janelas.
Mas os dois cadeados da grade só duraram quatro dias.
Os ladrões levaram e restaram apenas as chaves nas mãos de Lúcia.
“Eu chego aqui e falo para a minha sogra: Dona Nena, é que não sou eu que estou aí.
Eu ia dar uma rasteira nesses bandidos.
Quando ela era viva, ela que cuidava [do jazigo da família].
E toda essa dor que a gente sente.
Arruma, deixa bem arrumadinho e as pessoas vêm aqui e fazem essa barbaridade.
A minha sogra foi a maior benção da minha vida.
Eu amo ela, diz, com a voz embargada pela emoção.
Na capela, ela mostra a foto de Josephina Abussafi Salomão, carinhosamente chamada de Nena.
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