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Jovens negros 'furam bolha' e conquistam bolsa para graduação no exterior

Folha de S.Paulo ·
Jovens negros 'furam bolha' e conquistam bolsa para graduação no exterior

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Em meio a uma série de desafios e perseverança em um caminho pouco acessível, o sonho do intercâmbio na graduação se tornará realidade para três estudantes negros .

Caio Makanda, 23, Quezia Lopez, 19, e João Victor dos Santos, 19, foram selecionados pelo programa Black Stem, do Fundo Baobá para Equidade Racial , voltado a estudantes pretos e pardos que desejam ingressar em cursos de engenharia, tecnologia, matemática e ciência no exterior.

Cada um recebeu bolsa de R$ 42 mil. Caio vai estudar design gráfico nos Emirados Árabes Unidos , Quezia vai fazer engenharia elétrica na Espanha e João Vitor vai cursar ciência da computação nos Estados Unidos .

À Folha dizem furar bolhas ao superar dificuldades para estudar fora e ressaltam a representatividade em áreas com poucas mulheres e pessoas negras, além da importância da saúde mental e da resiliência no processo.

Caio, do Rio de Janeiro , estudou sempre em escola pública e cursou o ensino médio no Colégio Pedro 2º. Na pandemia, trabalhou para comprar medicamentos para o pai, com sintomas das doenças de Alzheimer e Parkinson. Aprovado em universidades brasileiras, não tinha como custear os estudos. A mãe o incentivou a buscar formação no exterior, chance que ela perdera por falta de dinheiro e domínio do inglês.

Quezia, de Rio das Ostras (a 156 km do Rio), veio de escola pública e não teve familiares no ensino superior. Após ser aprovada em um instituto federal, repetiu um ano do ensino médio para ter melhor base para a internacionalização.

João Vitor, caçula de sete irmãos, de Cruz das Almas (a 146 km de Salvador ), teve apoio familiar para estudar. Aos 15, fez intercâmbio na Argentina e depois um programa de verão da Universidade Yale, nos EUA, que reforçaram o desejo de se graduar fora.

Eles relacionam cursos e universidades à ancestralidade e ao desejo de levar conhecimento às origens. Caio escolheu o Dubai Institute of Design and Innovation, nos Emirados Árabes Unidos, por remeter à ascendência do pai.

Quezia fará engenharia elétrica na Universidade de Jaén, na Espanha, e quer ser referência para mulheres negras. Já João Vitor cursará ciência da computação na Universidade Northwestern, nos EUA, para desenvolver iniciativas para cidades como a dele.

Eles citam falta de informação e desigualdade em processos seletivos internacionais. "Quem estava em colégios particulares caros conseguia se preparar desde muito cedo, tinha um currículo enorme de conquistas, e eu precisava me equiparar a eles. Não tinha como, porque são anos que eles trilham e a gente tem dois, três anos para tentar se equiparar", diz João.

A falta de divulgação também é um empecilho, complementa Quezia. "A informação existe, mas ela é fechada. Essas oportunidades existem, só que não são compartilhadas com todos. Hoje, com a internet, se você for atrás, consegue acessar", afirma.

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Mesmo com os desafios, eles ressaltam a necessidade de perseverança.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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