Você dorme, mas seu coração descansa? Sono ruim pode cobrar preço alto
Dormir mal não é prejudicial apenas para o cérebro, mas também para o coração.
Uma das consequências de ter poucas horas de sono ou não atingir o estágio profundo de repouso, dia após dia, é o maior risco de infartar antes dos 40 anos.
O cardiologista Délcio Gonçalves da Silva Júnior, chefe do setor de Cardiologia do Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e da rede HU Brasil, confirma.
“Durante uma noite de sono, nosso corpo precisa desacelerar a tal ponto que o cérebro não precise cuidar tanto assim da nossa integridade física”, começa o médico.
O esperado é que diminuam a frequência cardíaca, a pressão arterial, o ritmo de respiração, a temperatura da pele e a atividade do sistema digestivo "para o cérebro poder pensar só nele”, completa o médico.
Mas quando o sistema nervoso permanece hiperestimulado, o corpo acaba não desligando totalmente durante o sono e libera hormônios da vigília como a adrenalina e o cortisol.
Aí é que entra o coração.
As substâncias hormonais enviadas à corrente sanguínea acabam mantendo o órgão mais ativo do que o necessário durante o sono.
“A frequência cardíaca vai ficar mais alta, a pressão vai subir, mesmo que à noite não precise”, diz o cardiologista.
“Se a pessoa passar o dia todo com uma ativação normal do coração e durante a noite continuar com a pressão alta, como se ela estivesse acordada, vai haver uma sobrecarga cardíaca do sistema cardiovascular ou orgânico.
É preciso descansar e relaxar.
Ninguém precisa de uma pressão 12/8 à noite”, explica o médico.
Segundo o cardiologista, a pressão arterial ideal durante o sono gira em torno de 90 a 100 mmHg, podendo ser até mais baixa em alguns, sem que haja um problema necessariamente.
O sono reparador é crucial para que o corpo funcione dentro do ritmo circadiano, lembra Délcio.
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