Juíza usa poema em sentença que reconhece dupla maternidade
A juíza Coraci Pereira da Silva, da 2ª Vara de Família e Sucessões da comarca de Rio Verde, Goiás, reconheceu a dupla maternidade de uma criança concebida por inseminação artificial caseira.
Com a decisão, a certidão de nascimento passará a trazer o nome de ambas as mães, sem qualquer distinção entre elas.
A sentença começa com um poema escrito pela própria juíza, intitulado Mães .
Os versos falam sobre o cuidado e o melhor interesse da criança.
Na decisão, a juíza registrou que o poema traduz a realidade daquela família, unida pelo afeto, pela convivência e pela criação compartilhada.
"O melhor interesse da infância que floresce, é norte absoluto que a justiça tece", diz um trecho.
O casal vive junto desde 2019 e oficializou a união matrimonial em maio deste ano.
As duas planejaram a gravidez juntas, contando com um doador conhecido que renunciou à paternidade.
O procedimento foi feito em casa, sem acompanhamento de clínica.
Por isso a criança foi registrada apenas no nome da mãe que a gestou.
Em acordo, as mães pediram à Justiça a inclusão da segunda mãe no registro.
O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) se manifestou a favor do pedido.
Leia também: Caminhos do nascimento: a longa jornada de mães e bebê s Leia também: Mães não gestantes enfrentam burocracia para conseguir licença-maternidade Para fundamentar a decisão, a juíza resgatou que o Código Civil admite o parentesco de “outra origem” além do laço de sangue, incluindo a filiação socioafetiva.
A juíza também citou o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que vínculos afetivos e biológicos podem ser reconhecidos ao mesmo tempo.
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