Partido de Netanyahu acredita que Qatar interferiu nas eleições de Israel
O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, aponta que o Catar e a Turquia financiaram ações para influenciar o voto em comunidades árabes em Israel.
Bom desempenho do bloco árabe, que conseguiu 19 cadeiras no Knesset, de acordo com apurações preliminares de 94,4% das urnas, aumentou as acusações. O primeiro-ministro e seus apoiadores já tinham mencionado o "risco de perder o estado judeu" se referindo diretamente à alta participação árabe nas urnas anteontem. Netanyahu, inclusive, fez um apelo para que s eus eleitores não fossem à praia, e sim às urnas .
Acusações de financiamento estrangeiro levaram o Comitê Central de Eleições a acionar o serviço de segurança interna. O presidente do comitê, o juiz da Suprema Corte Noam Sohlberg, determinou que o Shin Bet abra uma investigação sobre "suspeitas de financiamento estrangeiro e suspeita de suborno eleitoral por entidades externas".
O prazo para que os resultados da investigação sejam divulgados foi de uma semana e o juiz cobrou "apuração rápida" sobre o caso . "Embora eu não possa atestar a veracidade dessas suspeitas, entendo que - visto que envolvem entidades estrangeiras - existe a obrigação de investigá-las minuciosamente.", disse.
Relatos na mídia em hebraico apontam que o Likud vê o Qatar como origem do dinheiro supostamente enviado a grupos que mobilizam eleitores árabes. Segundo essas publicações, os canais usados para a suposta transferência de recursos seriam semelhantes aos empregados no passado para financiar terrorismo, o que embasou o pedido de apuração.
Chefe do Shin Bet, David Zini disse que o dia de votação transcorreu sem anormalidades. "A participação eleitoral está alta e podemos afirmar com confiança aos cidadãos de Israel que as eleições estão sendo monitoradas e conduzidas de maneira adequada e inspiradora", afirmou.
Antes e depois da votação, o Likud indicou que poderia contestar resultados em localidades árabes se Netanyahu não vencesse. Ainda na terça-feira, a polícia rejeitou a alegação de que a eleição teria sido "roubada" por partidos árabes e disse que não havia provas que sustentassem a acusação.
Líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot alertou para o risco de uso político das suspeitas de interferência. "Israel deve fazer tudo ao seu alcance para salvaguardar a integridade das eleições contra qualquer tentativa de interferência. Ao mesmo tempo, não se pode permitir que atores políticos explorem a situação para influenciar a data da posse da 26ª Knesset.", afirmou.
Netanyahu deve seguir como premiê interino até que um novo governo seja formado. Seu bloco conseguiu a maior quantidade de cadeiras na eleição, mas não formou maioria. Logo, ele deve seguir no cargo até uma possível formação de coalizão , ou até novas eleições serem realizadas, caso os partidos não cheguem a um acordo.
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