A conta do assistencialismo de Lula que chegará a 2027
Reajuste do Bolsa Família e outras medidas ampliam a pressão sobre as contas públicas que serão herdadas pelo próximo governo
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A ampliação de benefícios sociais promovida pelo governo Lula (PT) em 2026 poderá criar uma pressão adicional sobre as contas públicas que será herdada pelo próximo governo. O principal exemplo é o Bolsa Família , cujo valor mínimo passará de 600 para 691 reais a partir de outubro, em uma recomposição de 15,04% pela inflação acumulada desde março de 2023.
A avaliação é de Alessandro Callil de Castro , economista, mestre em Direito Administrativo e ex-auditor de Tribunal de Contas. Em análise enviada para O Antagonista , ele chama atenção para o impacto de medidas adotadas pelo governo neste ano sobre o orçamento de 2027 e afirma que a questão central não é apenas quanto o Estado gastará, mas como essas despesas serão financiadas nos próximos anos.
Segundo estimativa apresentada pelo economista, o reajuste do Bolsa Família representará um custo adicional de 22,7 bilhões de reais em 2027 . O valor supera o superávit primário de 18,6 bilhões de reais projetado pelo governo no Projeto de Lei Orçamentária para o próximo ano.
“A pergunta econômica, entretanto, é inevitável: como financiar permanentemente a nova despesa?” , questiona Castro.
O cenário projetado para 2027 acrescenta pressão ao debate. Enquanto o governo estima um superávit primário de 18,6 bilhões de reais, a Instituição Fiscal Independente (IFI) projeta déficit de 86,1 bilhões de reais . A instituição calcula ainda que poderá ser necessário contingenciar pelo menos 35,7 bilhões de reais em despesas no próximo ano.
A diferença entre as duas projeções chega a 104,7 bilhões de reais . Para Castro, a distância entre os números ajuda a dimensionar o desafio que poderá ser enfrentado pelo próximo governo.
Na avaliação do economista, o crescimento das despesas obrigatórias tende a reduzir o espaço disponível para gastos que podem ser efetivamente cortados pelo governo, como investimentos, obras e infraestrutura.
“Porque quando despesas obrigatórias crescem e a arrecadação não acompanha, alguém precisa ceder. E despesas obrigatórias, por definição, são difíceis de reduzir” , afirma.
O PLOA de 2027 prevê 2,576 trilhões de reais em despesas primárias e crescimento econômico de 2,5%. A IFI, por sua vez, trabalha com uma estimativa de crescimento de 1,8% e considera relativamente otimistas algumas projeções de receitas e despesas apresentadas pelo Executivo.
Para Castro, uma eventual frustração de receitas em um cenário de despesas crescentes pode ampliar a pressão sobre a parcela do orçamento com maior margem de ajuste.
“É assim que uma política voltada a aumentar renda no presente pode, se não houver fonte permanente de financiamento, diminuir a capacidade estatal de investir no futuro” , diz.
O reajuste do Bolsa Família foi anunciado pelo governo como uma recomposição inflacionária. O Ministério do Desenvolvimento Social afirma que a atualização preserva o poder de compra das famílias.
A discussão fiscal, porém, vai além do aumento concedido em 2026.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.