A vespa zumbi que injeta veneno no cérebro de baratas e parece transformá-las em escravas sem vontade própria
O comportamento extraordinário da Ampulex compressa revela como uma ferroada extremamente precisa pode alterar os circuitos de fuga de uma barata
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A vespa-joia parasitóide ( Ampulex compressa ) protagoniza um dos comportamentos mais estranhos já estudados entre insetos. A pequena vespa consegue alterar profundamente a reação de fuga de uma barata sem simplesmente deixá-la paralisada, criando um estado que parece controle mental. O que acontece dentro do sistema nervoso da vítima é ainda mais curioso do que essa comparação sugere.
A fêmea de Ampulex compressa executa uma sequência muito especializada de ferroadas. A primeira atinge um gânglio torácico e causa uma redução temporária dos movimentos das pernas dianteiras. Depois, a vespa usa o ferrão para atingir estruturas nervosas na cabeça da barata e depositar seu veneno em regiões ligadas ao controle locomotor. Estudos experimentais demonstraram que essa segunda etapa alcança diretamente os gânglios cefálicos.
Por isso, chamar o processo de uma espécie de “neurocirurgia” funciona como comparação editorial, mas não significa que o inseto compreenda anatomia como um cirurgião. O ferrão possui mecanismos sensoriais que ajudam a vespa a localizar os tecidos nervosos dentro da cabeça da presa. O resultado é uma intervenção extremamente precisa produzida pela evolução do comportamento predatório dessa espécie.
Logo após a ferroada na cabeça, a barata passa por mudanças comportamentais bem documentadas. Primeiro pode apresentar um período prolongado de limpeza corporal e, posteriormente, entra em um estado chamado hipocinesia , marcado por forte redução da movimentação espontânea e da tendência de iniciar uma fuga. Isso é diferente de uma paralisia completa.
Um vídeo científico produzido por pesquisadores que estudam Ampulex compressa apresenta o comportamento da vespa e da barata e explica como esse sistema se tornou um modelo para investigar manipulação neural em animais. O material complementa a pauta porque mostra que a vítima não se transforma literalmente em um autômato, mas passa por uma alteração profunda de iniciativa locomotora.
Não no sentido literal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.