Existem coisas mais chatas do que a data FIFA
Tratamento de canal, ida ao cartório, exame de sangue, fila no caixa rápido do supermercado, ficar preso num mano-a-mano com a pessoa mais chata da festa, sexta-feira chuvosa de trânsito parado, reconhecimento facial em aplicativo (aproxima, afasta, aproxima…), homens explicando coisas sobre as quais sabemos mais do que eles, passear com o cachorro na chuva e ele demorar para fazer coco, fila no raio X do aeroporto, gente que reclina o assento em voos rápidos, segundas-feiras que começam com uma reunião interminável, reuniões intermináveis, reuniões, conviver com quem fala demais, pessoas que acham que existem opiniões desprovidas de ideologia, clubes defendendo apostas online, gente que diz não ser "nem de esquerda nem de direita"(são de direita), o timbre da voz do BAP, mapa de calor como instrumento legítimo para analisar uma partida de futebol, melhores momentos de um jogo horroroso, Memphis cobrando pênalti, os Neysexual lambendo o menino Ney, uma noite tomando soro em hospital, mamografia, ultra-som de mama, papanicolau, propaganda de aposta online, narrador de voz estridente, ressaca, comentarista babando no Ney, dengue, isentões, unha encravada, meu cachorro com diarréia, diarreia, fila em pedágio, ingerir comida estragada, chefe bolsonarista, negociar livremente com o patrão, bolha no pé, encher o tanque com gasolina adulterada, a imagem e a voz de Donald Trump, patriotas entreguistas, Flavio Bolsonaro dançando. Eu poderia continuar, mas acho que basta. O recado é: parem de reclamar da data-FIFA. Todos os dias passamos por coisas piores. Que venham Índia e Austrália.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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