Com ‘Acampamento Miasma’, Gillian Anderson e Hannah Einbinder defendem cinema sem pudor
É como acontece com qualquer franquia do gênero, de Sexta-Feira 13 até A Hora do Pesadelo — quase meio século após estrear e apavorar o público dos anos 1980, a franquia fictícia Acampamento Miasma coleciona sequências, está defasada e é criticada segundo a bússola moral contemporânea, que aponta problemáticas em sua representação das personagens femininas e de um assassino que pode ser interpretado como transgênero.
Na comédia de terror Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte , cabe à cineasta independente Kris Williams ( Hannah Einbinder ) restaurar a tal saga segundo os ditames modernos, com uma perspectiva que transforme as peripécias de um serial killer apelidado “Pequena Morte” em uma trama de empoderamento LGBT+.
Para tal, contudo, ela se dá a missão de convencer a atriz do filme original a voltar aos holofotes — grande desafio, considerando que a estrela Billy Presley (Gillian Anderson) vive reclusa dentro do acampamento abandonado que foi cenário para o clássico.
A partir do primeiro encontro entre ambas, os planos vão aos ares de vez — e o que poderia ser um mero enredo metalinguístico se torna um divertidíssimo e irreverente romance, dentro do qual a jovem cineasta é levada a deixar de lado a frigidez e o intelecto exacerbado, para assim aprender a uma lição indiscreta que Marta Suplicy deu ao Brasil anos antes: “Relaxa e goza”.
No Festival de Cannes, em maio, a produção inusitada estimulou nove minutos de aplauso e ainda levou a Palma Queer, voltada para os filmes de temática LGBT+ da seleção.
Desde então, vem alimentando as expectativas de um nicho fiel na internet, onde Jane Schoenbrun — cineasta de gênero não-binário, 39 anos — inspira admiração comparável aos maiores nomes da indústria.
Em entrevista a VEJA, as estrelas Hannah Einbinder e Gillian Anderson detalham os bastidores e os significados da produção: Jane Schoenbrun é muito particular quanto à construção de seus filmes.
Como foi mergulhar no universo de Acampamento Miasma ? Continua após a publicidade Gillian: Foi razoavelmente fácil, quase sem esforço.
Os cenários eram extraordinários, e a caracterização realmente faz diferença na imersão para mim.
Jane recebeu com braços abertos minha ideia de fazer um sotaque sulista.
Hannah: Digo o mesmo, mas acrescento que eu e Jane tivemos conversas profundas, vulneráveis e detalhadas sobre nossas vidas pessoais, o que as personagens estavam atravessando e o que o filme queria discutir.
Dessa forma, consegui mergulhar na essência do roteiro e transmitir aquilo que estava sendo pedido de mim.
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