Pregão de R$ 2,49 milhões é suspenso por preço elevado de remédio oncológico
O TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) determinou a suspensão imediata de um pregão de R$ 2,49 milhões aberto pela Prefeitura de Ivinhema para a compra de medicamentos destinados a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), principalmente aqueles atendidos por decisões judiciais.
A medida foi tomada depois que a fiscalização identificou que um dos medicamentos tinha preço de referência acima do limite permitido para vendas ao poder público.
A decisão do conselheiro substituto Leandro Lobo Ribeiro Pimentel foi publicada nesta terça-feira (25) no Diário Oficial do Tribunal.
O problema está no Pembrolizumabe, medicamento previsto no item 7 do pregão.
A prefeitura estimou o preço de cada unidade em R$ 17.598,82.
No entanto, segundo o Tribunal, o PMVG (Preço Máximo de Venda ao Governo), definido pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), é de R$ 15.983,06.
Isso significa que o valor usado como referência pela administração municipal ficou 10,1% acima do teto permitido.
A diferença é de R$ 1.615,76 por unidade.
Como a licitação previa a compra de 100 frascos, o valor estimado pela prefeitura chegava a R$ 1.759.882 apenas nesse item.
Se todas as unidades fossem adquiridas pelo preço de referência previsto no edital, a diferença em relação ao teto da CMED chegaria a R$ 161.576.
O Pembrolizumabe representa cerca de 70% de todo o valor da licitação.
Por isso, a área técnica do TCE considerou que a diferença poderia gerar risco de sobrepreço e, caso a contratação fosse realizada nesses valores, eventual superfaturamento.
O limite estabelecido pela CMED deve ser respeitado neste caso porque os medicamentos serão adquiridos também para atender determinações judiciais.
Segundo o Tribunal, a regra impede que órgãos públicos paguem acima do preço máximo definido para esse tipo de compra.
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