Café brasileiro é “insubstituível” nos EUA, após batalha contra tarifaço
Depois de atuar diretamente em Washington pela retirada das tarifas impostas ao café brasileiro, o presidente da NCA (National Coffee Association), Bill Murray, avalia que os Estados Unidos reconheceram uma realidade difícil de contornar: o mercado americano depende do Brasil e não há outra origem capaz de substituir integralmente o produto brasileiro.
“Não existe outro país que possa preencher essa lacuna.
Considerando a eficiência dos produtores brasileiros, a qualidade do café e o volume produzido, não há nenhum outro lugar no mundo que possa substituir o café brasileiro.
Não há dúvida.
Não há substituto”, afirmou Murray, em entrevista à CNN, na prévia para o Vitória Coffee Summit, que começa nesta quinta-feira (20), em Vitória (ES).
A declaração ocorre após mais de um ano de articulação entre representantes da cadeia cafeeira brasileira e americana para retirar o produto do alcance das medidas tarifárias adotadas pelo governo de Donald Trump.
Leia Mais Bastidor: articulação entre café do Brasil e EUA combateu tarifaço EUA também dependem do Brasil, diz presidente da ApexBrasil Exportações de café recuam 16% com EUA fora da liderança pós-tarifaço Em agosto de 2025, os cafés brasileiros passaram a enfrentar uma tarifa total de 50% para entrar nos Estados Unidos — resultado da tarifa de 10% aplicada anteriormente, somada a uma sobretaxa adicional de 40%.
A medida vigorou por quase quatro meses para a maior parte do setor.
Em novembro do ano passado, o governo americano retirou a sobretaxa adicional sobre café verde, torrado e moído, enquanto o café solúvel permaneceu sujeito à taxação.
O impacto foi imediato sobre o comércio bilateral.
Entre agosto e novembro de 2025, período de vigência do tarifaço, as exportações brasileiras de café aos Estados Unidos recuaram 54,9% na comparação com igual intervalo de 2024, de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas, segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).
A retirada das barreiras foi precedida por uma extensa mobilização do setor privado.
Cecafé, Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) e Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) trabalharam em conjunto com a NCA e importadores americanos para demonstrar ao governo dos Estados Unidos o grau de dependência da indústria local em relação ao produto importado.
Segundo o Cecafé, a articulação envolveu mais de 100 reuniões, ao longo de mais de um ano, com representantes dos departamentos de Comércio, Estado e Agricultura dos Estados Unidos, além do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA).
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