Dólar sobe a R$ 5,39 e Ibovespa tem quarta queda consecutiva
O dólar comercial fechou esta quinta-feira (29) em alta de 0,89%, cotado a R$ 5,387, interrompendo uma sequência de duas quedas. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuava 0,97%, aos 169.354 pontos, na última prévia disponível, ainda sem confirmação do fechamento definitivo.
As preocupações com as contas públicas brasileiras e a perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos marcaram o pregão, segundo analistas. Os investidores também acompanharam os balanços das empresas e os novos dados de crescimento e inflação da economia americana.
Dólar voltou a subir após duas sessões de alívio. A moeda americana encerrou o dia a R$ 5,387 para venda, depois de chegar a superar R$ 5,41 durante o pregão. Na quarta-feira (28), havia recuado 0,19%, a R$ 5,340. As duas quedas anteriores ocorreram após a disparada de 8,21% registrada na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Incertezas fiscais mantiveram os investidores cautelosos. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, avaliou que as dúvidas sobre a política fiscal e a trajetória dos gastos públicos no período pós-eleitoral pressionaram os ativos brasileiros. Segundo ela, o mercado continua aguardando definições mais claras sobre a condução da economia.
Busca por proteção favoreceu a moeda americana. Nossig relacionou a valorização do dólar às preocupações domésticas e à perspectiva de juros elevados por mais tempo no exterior, cenário que pode reduzir a atratividade de investimentos em países emergentes.
Possível tributação de investimentos também entrou no radar. Fabio Louzada, economista e fundador da B7 Business School, destacou o receio dos investidores com a cobrança de impostos sobre aplicações atualmente isentas, além das dúvidas sobre o futuro das contas públicas.
Também há preocupação no mercado em relação a tributação de investimentos até então isentos. Fabio Louzada, fundador da B7
Ibovespa permaneceu abaixo dos 170 mil pontos. O índice recuava 0,97%, aos 169.354 pontos, na última consulta ao TradeMap, que informa atraso de 15 minutos nas cotações. Na quarta-feira, a Bolsa havia fechado em queda de 2,68% , aos 171.006,10 pontos.
Varejo e construção civil sentiram a perspectiva de juros elevados. Louzada associou as perdas desses setores à pressão sobre as taxas futuras durante o dia e ao receio de que o custo do crédito permaneça alto por mais tempo, dificultando o consumo e o financiamento de imóveis.
Juros futuros devolveram parte da alta registrada no início da tarde. Às 16h49, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 13,642% ao ano. Às 16h50, os vencimentos de janeiro de 2029 e janeiro de 2031 marcavam 14,755% e 15,080%, respectivamente. Os valores ainda eram parciais. Às 13h13, os dois últimos contratos haviam atingido 14,865% e 15,210%.
Economia americana cresceu acima das expectativas. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos avançou 3,4% no terceiro trimestre, em taxa anualizada, acima dos 3,2% esperados pela Nomad e dos 2,2% registrados no trimestre anterior.
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