Do piloto à prateleira: bancos avançam na tokenização de produtos, mas escala ainda é desafio
Depois de anos de testes e projetos-piloto, a tokenização de ativos começa a enfrentar um novo desafio no sistema financeiro: sair dos laboratórios de inovação e ganhar escala, com produtos que façam sentido para os clientes.
Para isso, os bancos ainda precisam avançar em questões como padronização, regulação e integração da nova tecnologia à infraestrutura já existente no mercado.
O tema foi discutido nesta terça-feira (25) durante a Febraban Tech, em São Paulo, em painel que reuniu representantes de bancos e empresas do setor.
Entre as iniciativas em desenvolvimento está uma solução do Banco do Brasil baseada em ativos digitais para a jornada de compra e venda de imóveis, com previsão de chegar à produção a partir de 2027.
Para chegar à prateleira, no entanto, o desafio já não é apenas provar que a tecnologia funciona.
Segundo Guto Antunes, chefe de ativos digitais do Itaú Unibanco, o mercado entrou em uma fase em que precisa definir padrões capazes de permitir que a infraestrutura tokenizada suporte os volumes do mercado de capitais.
“O principal ponto aqui é padronização e escalabilidade”, afirmou Antunes.
Segundo ele, os testes agora buscam justamente definir padrões de rede e de governança que permitam aos projetos deixar a fase de pilotos.
Outro ponto ainda em discussão é até onde a tecnologia pode substituir etapas e participantes da infraestrutura financeira tradicional.
O Itaú vem realizando experimentos para avaliar, por exemplo, como funções hoje desempenhadas por escrituradores e repositórios podem funcionar em uma estrutura baseada em blockchain.
Os testes também servem de subsídio às discussões regulatórias sobre quais ativos e processos podem migrar para esse ambiente.
No Banco do Brasil, a experiência com o piloto do Drex levou a instituição a criar uma estrutura permanente para ativos digitais.
Segundo Julierme de Souza, chefe de Desenvolvimento de Soluções Digitais do banco, o trabalho foi dividido em três pilares: plataforma tecnológica, unidade de negócios e uma governança integrada, que também acompanha questões regulatórias, jurídicas e de risco.
A estrutura continuou em funcionamento mesmo após a mudança de rumo do Drex e passou a apoiar novos projetos, entre eles o de imóveis.
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