Bancos dizem que inteligência artificial aumentou 'exponencialmente' ataques digitais
Representantes dos bancos destacam que a inteligência artificial que defende as instituições de ameaças cibernéticas que desejam roubar os dados dos clientes é uma arma de ataque dos criminosos também.
Em um painel durante o evento Febraban Tech, realizado em São Paulo nesta terça-feira (25), executivos afirmaram que essa tecnologia aumentou "exponencialmente" os riscos e que ainda é um desafio impedir que os ataques aconteçam.
A maioria (77%) dos bancos consegue usar a inteligência artificial (IA) para achar ameaças cibernéticas que desejam roubar os dados dos clientes, mas a minoria (31%) usa a tecnologia para automatizar as respostas a esses riscos, segundo uma pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Cristiano Adjuto, diretor de cibersegurança do Bradesco, afirmou que atualmente o maior desafio não é identificar as pistas de ataques cibernéticos, mas transformá-las em decisões que impeçam os incidentes de ocorrer.
"Usamos vários modelos de inteligência artificial para entender os tipos de comportamentos, mas estamos trabalhando para transformar os sinais de detecção em ação.
Existem novos tipos de ataques ainda não são padronizados", disse.
"Os incidentes de segurança têm humanos ainda no banco para resolvê-los, ainda devemos ganhar segurança para resolver com inteligência artificial", acrescentou.
Leandro Ferreira Granja, responsável pela cibersegurança e antifraude do Santander Brasil, afirmou que os ataques digitais hoje são muito rápidos e aumentaram "exponencialmente" com a inteligência artificial.
"Para determinados serviços, temos intervenção humana, mas estamos ganhando confiança para nos defender com a tecnologia", disse.
Marcelo Henrique, responsável pela segurança digital do Banco do Brasil, destacou que o banco começou a interagir mais com os clientes durante as transações para evitar que eles caiam em golpes, perguntando se a pessoa tem certeza que efetuará transações que não costuma fazer.
"A tendência é a inteligência artificial ser adotada pelos bancos dentro da segurança, ela vai trazer eficiência e mitigar os problemas", afirmou.
Na análise de Adriano Volpini, diretor de prevenção a crimes financeiros do Itaú Unibanco, a conscientização dos clientes sobre o risco das transações não é suficiente.
"O desafio é cada vez maior.
Quando alertamos os clientes que uma transação tem risco, 50% param, mas 50% continuam adiante fazendo a transação", afirmou.
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