Como as mudanças climáticas estão transformando o cheiro de chuva
Durante o calor do verão, a queda de algumas gotas de chuva em um solo seco e quente libera no ar compostos que ficam acumulados nas plantas e fazem surgir um cheiro inconfundível.
Esse aroma característico é o que chamamos popularmente de “cheiro de chuva” ou de “terra molhada”.
Cientificamente, é conhecido como petricor.
O termo vem do grego “petros”, que significa “pedra”, e do termo “ichor”, ou “o fluido que passa pelas veias dos deuses”.
Desde 1964, ele é estudado intimamente por cientistas que buscam entender a ciência por trás do aroma.
E, na medida que as mudanças climáticas alteram as condições de vida na Terra, o petricor também sofre transformações.
Para entender o porquê, primeiro cabe voltarmos alguns passos e explicar como o petricor ocorre.
Em linhas gerais, o fenômeno é o resultado da combinação de duas substâncias: a geosmina e óleos vegetais.
Ambas são componentes naturais do solo e das plantas que, quando entram em contato com a chuva, produzem uma série de reações.
Em períodos de seca, as bactérias que habitam a terra produzem a geosmina como forma de proteção: o composto repele insetos como as moscas-das-frutas, que evitam a matéria vegetal onde as bactérias vivem.
Ao mesmo tempo, ele atrai animais que disseminam esporos, como os colêmbolos, que ajudam a espalhar seu composto mais amplamente.
Continua após a publicidade Enquanto isso, as plantas acumulam óleos aromáticos que ajudam a reduzir a perda de água e a suportar o calor intenso.
Quando as gotas de chuva atingem o solo seco e as plantas, o impacto gera bolhas microscópicas que contém geosmina e óleos.
Essas bolhas sobem no ar e se dispersam em partículas minúsculas que, então, chegam às narinas humanas.
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