Não é preguiça: entenda por que a depressão dificulta tarefas básicas
Uma pessoa com depressão sabe que precisa realizar tarefas cotidianas como levantar-se da cama, tomar banho, escovar os dentes ou preparar uma refeição e, ainda assim, encontra grande dificuldade para realizá-las.
Em alguns casos, o transtorno compromete atividades básicas da rotina e até o autocuidado .
Isso acontece porque a depressão pode afetar a energia, a cognição e a motivação, dificultando tarefas que antes faziam parte do cotidiano e eram realizadas quase automaticamente.
“Os transtornos depressivos são caracterizados por humor triste, vazio ou irritável, acompanhados de alterações somáticas e cognitivas que afetam significativamente o nível de funcionamento do indivíduo”, explica Taynan Soares Gil Rodrigues, psicóloga e neuropsicóloga, especialista em terapia cognitivo-comportamental e em neuropsicologia, com base nos critérios descritos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR).
Os impactos da depressão sobre o funcionamento do cotidiano e a qualidade de vida também apareceram, sob diferentes perspectivas, em diversos painéis do Congress on Brain, Behavior and Emotions 2026 , realizado em junho, em Porto Alegre (RS).
Ao longo da programação, especialistas discutiram aspectos relacionados à saúde mental, ao comportamento e ao funcionamento cerebral, incluindo os efeitos dos transtornos depressivos sobre a vida diária.
Por que tarefas simples podem se tornar tão difíceis? Fadiga intensa, avolição (falta de motivação e iniciativa para realizar tarefas), anedonia (perda de capacidade de sentir prazer nas atividades antes consideradas agradáveis) e sentimentos de desesperança estão entre os sintomas que podem reduzir a capacidade de planejar e executar atividades cotidianas.
Na prática, tarefas do cotidiano podem passar a exigir um esforço muito maior.
Do ponto de vista neuropsicológico, a depressão também pode comprometer funções executivas, afetando capacidades relacionadas à atenção, memória, organização, planejamento e autorregulação.
“O indivíduo deprimido tenta manter seu desempenho habitual, mas tarefas simples deixam de ser automáticas e passam a exigir um esforço cognitivo e físico exacerbado”, afirma Rodrigues.
Segundo a especialista, cérebro e corpo precisam mobilizar uma quantidade maior de recursos para executar ações rotineiras.
O resultado pode ser esgotamento, acompanhado de fadiga intensa, lentificação psicomotora, baixa energia e desânimo.
Isso ajuda a entender por que a dificuldade em realizar atividades básicas não deve ser interpretada simplesmente como preguiça ou falta de vontade.
Há um comprometimento do próprio funcionamento da pessoa durante o quadro depressivo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em drauziovarella.uol.com.br — o conteúdo pertence a Portal Drauzio Varella.