EXCLUSIVO: Centrão e direita gastaram R$ 189 milhões com shows em GO, MT e MS em 2024
Uma reportagem exclusiva do Núcleo Fórum Investiga revela que as prefeituras administradas por partidos do Centrão e da dita direita “conservadora” bolsonarista nos três estados da Região Centro-Oeste do Brasil [Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul] gastaram, juntas, a bagatela de R$ 189.085.116,00 em contratos de shows artísticos ao longo do ano de 2024.
O montante astronômico financiou apresentações festivas, em sua esmagadora maioria de grandes astros da música sertaneja nacional, transformando o dinheiro público municipal em um lucrativo circuito de entretenimento privado.
O valor dispendido pelo bloco político representa quase a totalidade dos R$ 211.679.261,00 movimentados para esse fim por todos os 467 municípios da região, em 1.856 contratos artísticos mapeados no período.
A verba milionária fluiu diretamente dos cofres de administrações geridas por legendas do Centrão e da direita, numa região onde esse grupo consolidou uma hegemonia quase absoluta.
Anatomia do domínio político no Centro-Oeste e o absurdo das prioridades invertidas A astronômica destinação de recursos para o setor de entretenimento festivo guarda relação direta com o mapa político do Centro-Oeste.
A análise detalhada da distribuição de poder municipal nos 467 municípios da região expõe um cenário de amplo domínio das forças do Centrão e da direita bolsonarista sobre os partidos do campo da esquerda.
Contudo, para além dos números e da geografia eleitoral, o que se desenha no interior do país é uma profunda e escandalosa crise de prioridades na aplicação do dinheiro do contribuinte.
Enquanto populações inteiras enfrentam filas em postos de saúde desprovidos de medicamentos básicos, transitam em estradas vicinais esburacadas que inviabilizam o transporte escolar e sofrem com a falta crônica de saneamento básico, prefeitos e gestores locais optam por comprometer fatias expressivas do orçamento com palcos, luzes e cachês milionários.
A sensação de abandono social nas periferias e zonas rurais dessas cidades contrasta de maneira chocante com a opulência dos camarins e das estruturas montadas para poucas horas de festa.
A política da celebração efêmera passa a funcionar como uma espécie de cortina de fumaça para ocultar a precariedade dos serviços públicos essenciais, criando uma ilusão de prosperidade em municípios que mal conseguem honrar suas obrigações constitucionais mais elementares.
Em Goiás , estado que reúne 246 municípios, a esquerda venceu em apenas 17 prefeituras (6,91%), distribuídas entre PDT (11), PSB (3) e PT (3).
Em contrapartida, a aliança do Centrão e da direita abocanhou 229 prefeituras (93,09%).
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