O diferencial competitivo do futuro será cada vez mais humano
Por José Roberto Paim Neto Uma história de 1770 ajuda a explicar um dos principais desafios da inteligência artificial nos dias de hoje.
Naquele ano, uma máquina de jogar xadrez foi apresentada à corte da imperatriz Maria Teresa da Áustria.
Conhecida como Mechanical Turk, ela derrotou membros da aristocracia, generais e até Napoleão Bonaparte.
Durante décadas, o público acreditou estar diante de uma máquina capaz de pensar.
O segredo, porém, era outro: havia uma pessoa escondida dentro da estrutura, movimentando as peças.
Mais de 250 anos depois, continuamos colocando seres humanos dentro das nossas máquinas.
A diferença é que agora podemos fazer isso de maneira acidental ou deliberada.
A inteligência artificial se consolidou como uma das principais forças de transformação dentro das empresas.
Nunca se investiu tanto em automação, modelos generativos, análise de dados e novas arquiteturas digitais em busca de produtividade, eficiência e escala.
Mas, enquanto acompanhamos essa corrida tecnológica, acredito que ainda estamos deixando uma questão central em segundo plano.
Grande parte do debate sobre inteligência artificial gira em torno de uma preocupação recorrente: quais empregos serão substituídos pelas máquinas.
Na minha visão, existe um risco ainda mais profundo e menos discutido.
O verdadeiro desafio não está apenas em entender o que a inteligência artificial pode substituir, mas em perceber como ela pode estar alterando a própria forma como seres humanos trabalham, pensam e tomam decisões dentro das organizações.
Vivemos hoje um paradoxo curioso.
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