Meta volta a ser julgada hoje nos EUA por vício de jovens nas plataformas
A Meta vai a julgamento nesta terça-feira, em Oakland, na Califórnia (EUA), por acusações de que Facebook e Instagram foram projetados para criar dependência em crianças.
Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey acusam a Meta de criar recursos que mantêm menores de idade por mais tempo nas plataformas . Os estados citam mecanismos como a rolagem infinita e alegam que eles têm relação com danos à saúde mental e física de jovens.
Os autores da ação pedem mudanças no Facebook e no Instagram voltadas a usuários menores de 18 anos . Entre as medidas solicitadas estão novos limites de tempo de uso, verificação de idade e o fim da rolagem infinita.
A Meta calcula que uma condenação poderia resultar em penalidade de até US$ 1,4 trilhão no cenário mais extremo . A empresa tem valor de mercado estimado em cerca de US$ 1,5 trilhão e afirma que as exigências financeiras são desproporcionais.
Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, e Adam Mosseri, chefe do Instagram, devem depor no processo . Em nota enviada a diversos sites dos EUA, a empresa disse que as alegações dos estados são "sem fundamento" e que mantém proteções robustas para adolescentes.
Um júri de oito pessoas vai acompanhar o caso, mas terá apenas função consultiva . A decisão final caberá à juíza Yvonne Gonzalez Rogers, da Justiça Federal americana, e o julgamento deve durar de quatro a seis semanas.
O procurador-geral de Kentucky, Russell Coleman, compara a ação a processos movidos contra a indústria do tabaco nos anos 1990 . "Mostraremos a um júri que a Meta ocultou o que sabia sobre os danos que seus produtos causam aos jovens porque ignorar isso era mais lucrativo", afirmou.
Especialistas avaliam que a Meta dificilmente pagaria o valor máximo estimado pela própria empresa . James Grimmelmann, professor de direito da Universidade Cornell, disse em entrevista à AP que uma indenização desse tamanho levaria a empresa à falência e poderia resultar em um acordo ou pagamento menor.
Em março, Meta e Google foram condenadas em uma ação nos EUA por vício em redes sociais . O caso envolvia uma garota que ficou viciada no YouTube e no Instagram, e seus advogados convenceram o júri de que o funcionamento das plataformas era pensado para "segurar as pessoas".
O valor pago pela ação foi de US$ 3 milhões, porém abriu a possibilidade de vários processos contra as plataformas . Após este, houve um processo no estado do Novo México, que condenou a Meta a pagar US$ 567 milhões por viciar crianças. A Meta contesta a acusação e vai recorrer.
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