Citi rebaixa Natura para venda e corta preço-alvo de R$ 10 para R$ 8
O Citi rebaixou a recomendação de investimento nas ações da Natura, de neutra para venda, com preço-alvo recuando das ações da Natura de R$ 10 para R$ 8 por papel citando a recuperação mais lenta dos negócios, desafios operacionais e potencial limitado de valorização das ações.
Natura tem recomendação de investimento rebaixada pelo Citi. Analistas do banco rebaixaram a recomendação das ações da Natura de neutra para venda, citando preocupações com o ritmo e a complexidade do processo de reestruturação da companhia.
Analistas cortaram o preço-alvo das ações da Natura de R$ 10 para R$ 8 por papel. Embora reconheçam que uma reestruturação bem-sucedida pode gerar retornos atrativos no longo prazo, eles avaliam que a ação atualmente negocia a múltiplos que embutem uma recuperação mais rápida do que a esperada pelo banco, tornando a relação entre risco e retorno desfavorável no momento.
Ações atravessam ciclo recente de recuperação. As ações ON (ordinárias, com direito a voto), fecharam ontem a R$ 8,79, 18% acima da mínima no ano, que foi de R$ 7,43, em 18 de junho. A máxima neste ano foi R$ 10,70, em 7 de maio.
Banco revisou estimativas para incorporar os resultados da Natura no segundo trimestre e adotar visão mais conservadora para a recuperação da companhia. A expectativa agora é de queda de cerca de 3% nas vendas da Natura no Brasil durante o segundo semestre de 2026, ante projeção anterior de estabilidade.
Citi elevou estimativas de despesas financeiras para a companhia, incluindo custos com operações de swap. Banco reduziu em aproximadamente 20% sua projeção de lucro por ação para 2027, deixando-a cerca de 20% abaixo do consenso de mercado compilado pela Visible Alpha.
Processo de recuperação da Natura está apenas começando e envolve obstáculos operacionais e estruturais, diz Cit. Segundo os analistas João Pedro Soares e Felipe Hussein, apesar de avanços recentes na governança, como a entrada da Advent no acordo de acionistas e o retorno de Alessandro Carlucci ao comando da empresa, a recuperação dos negócios deve ser mais lenta do que a precificada atualmente pelo mercado.
Entre os problemas mais graves estão a disponibilidade de produtos. Isso deve continuar pressionando os resultados no segundo semestre de 2026 no Brasil e possivelmente no México, que é abastecido pela unidade de Cajamar. Além disso, a empresa precisará lidar com o risco de canibalização entre canais de venda à medida que amplia sua presença digital e em marketplaces.
Citi também vê limitações para a geração de caixa da companhia. De acordo com o relatório, os níveis elevados de estoques e os prazos mais longos de recebimento reduzem a capacidade da Natura de converter resultados operacionais em fluxo de caixa livre. Como consequência, a alavancagem financeira deve permanecer acima de 1,5 vez no terceiro trimestre e acima de uma vez no quarto trimestre, restringindo a distribuição de dividendos. A projeção do banco é de um dividend yield de cerca de 5% em 2027.
Companhia precisa superar falha logística e inovar no ritmo de coreanos.
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