Demanda por energia cresce, mas projetos para ampliar produção travam
Apesar de a indústria de energia ter parado de investir em novos empreendimentos, o consumo no setor deve avançar de forma acelerada nos próximos anos, em grande parte por causa do uso da inteligência artificial (IA). O descasamento entre a demanda crescente e a paralisação na oferta disponível pode aumentar a pressão sobre os preços dos contratos.
A avaliação é de Evandro Vasconcelos, vice-presidente de Comercialização e Regulatório da empresa de energia CTG Brasil. O alerta foi dado na quinta-feira (20) no MinutoMega Talks —evento organizado pelo site MegaWhat, do qual o UOL é parceiro. Para ele, o país vive uma "falsa impressão de sobreoferta": há energia renovável sobrando em determinados horários, mas pouca oferta nova para sustentar contratos de longo prazo.
A oferta de energia não está se expandindo no país. Todo mundo que tinha projeto colocou na gaveta, e a demanda está crescendo. Evandro Vasconcelos, vice-presidente de Comercialização e Regulatório CTG Brasil
O engavetamento de novos projetos de energia ocorre por causa da crise do "curtailment". O termo refere-se à limitação de inserção de energia na rede. Essa restrição é determinada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), que solicita cortes na geração, principalmente de eólica e solar, quando a demanda por energia é menor do que a oferta.
O "curtailment" se tornou comum a partir de 2022. Essas interrupções da produção energética por usinas decorrem do aumento na geração feita por consumidores com painéis solares instalados no telhado das residências.
Por outro lado, a demanda por energia cresce conforme ferramentas de inteligência artificial (IA) se popularizam. Elas necessitam um grande volume de processamento de informações pelos data centers, que, por sua vez, precisam de muita energia e água para funcionar.
O fato de o parque energético não estar sendo ampliado já está pressionando preços de contratos futuros, segundo Vasconcelos. O executivo afirmou que a energia negociada por cerca de R$ 130 o quilowatt-hora (kWh) há dois anos passou para uma faixa entre R$ 200 e R$ 250.
O cenário pode ficar mais apertado entre 2028 e 2030. A demanda deverá crescer enquanto novos projetos enfrentam dificuldades diante do risco de cortes. "Esse sinal de preço pode ficar extremamente estressado em poucos anos", disse.
Com o consumidor gerando sua própria luz em casa, o ONS não controla diretamente toda a energia produzida no país. Essa geração é estimada, enquanto grandes usinas recebem ordens diretas para reduzir a produção.
Os recursos centralizados (grandes usinas hidrelétricas, térmicas, eólicas ou solares) são usados para equilibrar, mas o sistema está se aproximando do limite. Por isso, o operador desenvolve mecanismos para alcançar também usinas menores conectadas às redes de distribuição. "Estamos esgotando os recursos centralizados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.