Juros altos deixam produção de máquinas 'anêmica' e freiam indústria
As quedas sucessivas dos chamados bens de capital, produtos adquiridos para a fabricação de outros artigos industriais ou prestação de serviços, indicam um efeito nocivo do atual patamar da taxa de juros sobre o setor produtivo.
Produção de bens de capital encolheu pelo quarto mês seguido. A atividade recuou 2,4% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, mostram dados da PIM (Pesquisa Industrial Mensal), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado mantém a trajetória negativa observada em junho (-1,8%), maio (-6,6%) e abril (-4,9%).
No acumulado desde janeiro, a perda do indicador alcança 4,9%. A baixa é semelhante à contabilizada no desempenho dos últimos 12 meses (-4,8%). "A produção de bens de capital segue anêmica, apresentando contração significativa nas principais métricas de tendência", afirma André Valério, economista sênior do Inter.
Bens de capital agrícolas amargam desempenho mais adverso. A atividade vista como mais sensível ao crédito viu os investimentos nos novos equipamentos desabarem 31,6% em julho, ante o mesmo mês de 2025. "Esse comportamento é compatível com o ambiente de condições financeiras restritivas, que encarece o financiamento e reduz a atratividade de novos investimentos", explica Luiza de Mello Teixeira, analista da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.
Números evidenciam menor investimento na expansão produtiva. A realidade envolve o menor interesse pela aquisição de máquinas e equipamentos e é comprovada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). A sondagem da entidade aponta que, em agosto, a intenção de investimento da indústria caiu pelo terceiro mês consecutivo e atingiu seu patamar mais baixo deste ano.
Cenário é agravado pelo elevado patamar das taxas de juros. A política monetária restritiva, com a taxa Selic acima dos dois dígitos desde o início de 2022, é citada como adversidade para a queda da produção dos bens de capital. "O ambiente de incerteza com taxa de juros elevada acaba restringindo as novas decisões de investimento", afirma Teixeira.
Com a reversão de curso da política monetária em 2024, que interrompeu a sequência de cortes em março e retomou as altas em setembro, adentrando 2025 até a Selic alcançar 15%, vimos o setor perder força de maneira significativa. André Valério, economista sênior do Inter
Inflação a ser combatida pela Selic também limita os investimentos. A situação reflete a manutenção de juros elevados por mais tempo com as projeções para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). "Uma vez que essas expectativas [de inflação] seguem acima da meta, as empresas evitam investir e se adequam a esse cenário mais restritivo", avalia Teixeira.
Resultados negativos indicam moderação da economia. A retração da produção de bens de capital reflete um futuro amargo para o avanço do PIB (Produto Interno Bruto). "Esse desempenho é um prognóstico negativo para a atividade futura", afirma Valério.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.