Justiça do Egito manda fechar um dos últimos veículos independentes do país
A Justiça do Egito determinou o fechamento do Mada Masr, um dos últimos veículos independentes do país, após condenar sua fundadora, Lina Attalah, por operar o site sem a devida licença, segundo a emissora NBC News.
Attalah foi libertada após pagar uma multa equivalente a cerca de US$ 53.400 (cerca de R$ 284 mil, conforme cotação atual). O Mada Masr afirma que ela ficou detida por sete horas após a sentença, sem que seu paradeiro fosse informado.
A decisão também prevê a apreensão dos bens do veículo, conhecido por investigar corrupção, violações de direitos humanos e a influência dos militares. No país, jornais e emissoras de televisão são rigidamente controlados pelas autoridades.
A Anistia Internacional classificou a decisão como um golpe contra a liberdade de imprensa no país. Segundo a ONG, a postura do Egito indica que "o jornalismo crítico e independente não será tolerado" no país. Já a ONG Human Rights Watch classificou o processo contra Attalah como uma escalada de um "ataque ultrajante à mídia independente".
O julgamento ocorreu em um tribunal de contravenções no Cairo, na primeira audiência de um processo. Hossam Bahgat, da Iniciativa Egípcia por Direitos Pessoais, disse que o juiz rejeitou pedidos da defesa, que diz que vai recorrer da ordem de fechamento.
Os oito advogados de Attalah se recusaram a apresentar as alegações finais de imediato. O juiz nomeou um defensor que eles não conheciam, apesar das objeções da jornalista e de sua equipe, afirmou Bahgat.
Durante os procedimentos para sua libertação, a defesa soube de outra condenação de Attalah, condenada à revelia em 2024. Ela recebeu pena de um ano de prisão por divulgar notícias falsas e operar um site sem licença, e pretende recorrer; a audiência está marcada para 11 de novembro.
O Mada Masr afirma que solicitou autorização para funcionar em 2018, mas não recebeu resposta das autoridades. O site está bloqueado dentro do Egito desde 2017, e o veículo relata seis processos contra sua equipe em seis anos.
A Anistia Internacional e outras 118 organizações e veículos pediram que o governo pare de agir contra o Mada Masr e conceda a licença. Khaled Elbalshy, presidente do sindicato de jornalistas egípcios, declarou apoio a Attalah.
Promotores egípcios também prorrogaram por 15 dias a prisão preventiva de seis jornalistas da plataforma investigativa Matsadaash. Eles foram detidos sob acusações de integrar e financiar grupo terrorista e divulgar informações falsas.
O Egito ocupa a 169ª posição entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2026. O levantamento é elaborado pela organização Repórteres Sem Fronteiras.
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