Tudo por um fio
Rio onde há piranha, jacaré nada de costas.
Provérbio popular brasileiro.
1.O sopro de esperança que está vindo das ruas será suficiente para a virada? Ninguém sabe, mas essa é a batalha dos próximos três dias.
Uma disposição de luta foi incendiada pela juventude.
Milhões de pessoas se levantaram e estão em movimento para bloquear o caminho da extrema direita nas ruas e nas redes.
O que era imprevisível aconteceu.
Por quê? O perigo de um avassalador controle da maioria do Congresso que pode conquistar, através de impeachment e nomeações, um domínio no STF, se alavancado pela vitória presidencial.
Seria, institucionalmente, um “poder total” da extrema direita.
São pelo menos dois os fatores que incidiram na consciência da base social da esquerda, e ajudam a compreender essa “explosão”: (a) o papel dos estudantes foi a centelha que incendiou as ruas, imediatamente depois do 4 de outubro, alimentando a esperança de que uma virada seria possível, porque os mais jovens “caminham mais leves”; (b) a percepção de que o bolsonarismo não pode ser subestimado, e deve ser levado muito a sério.
Portanto, de que a revisão constitucional anunciada será a antessala de um regime autoritário, e de que a recolonização do Brasil pelos EUA é um perigo “real e imediato”.
Os perigos que nos cercam são terríveis.
2.A história nos ensina que, diante de situações perigosas, acontecem fenômenos surpreendentes e extraordinários.
Uma imensa parcela da sociedade que estava até então, politicamente, inativa, diante de uma ameaça terrível, se coloca em movimento e faz a diferença.
Esse “grande medo” é a chave de explicação da “explosão” política de uma mobilização de massas que só pode ser comparada com o momento final da campanha Fora Collor, há trinta e cinco anos.
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