“Precisamos aprender a aceitar nossa mortalidade”, diz Nobel de Química
No auge dos seus 74 anos, o biólogo indiano Venki Ramakrishnan já fez as pazes com a finitude .
Vencedor do Prêmio Nobel de Química de 2009 por desvendar o funcionamento dos ribossomos — as microscópicas “fábricas” que produzem as proteínas nas células e desempenham papel central na manutenção da vida —, ele defende que ninguém deveria perseguir a imortalidade .
Embora faça questão de colocar em evidência os progressos científicos que têm ampliado a longevidade humana e poderão nos levar além dos 100 anos, ele não hesita em oferecer um contraponto ao que chama de a indústria do envelhecimento e do rejuvenescimento , muitas vezes calcada em promessas sem embasamento algum.
É essa visão equilibrada sobre nossos anseios e limites como espécie e sociedade que o ex-presidente da prestigada Royal Society britânica oferece em Por Que Morremos , livro que acaba de ser publicado no Brasil pela editora Contexto.
Em entrevista exclusiva à VEJA SAÚDE, ele enfatiza que o maior objetivo da medicina hoje não deveria ser buscar uma vida sem fim, mas mais anos vividos com saúde.
Continua após a publicidade +Leia Também: O que os sinais do seu corpo revelam sobre envelhecimento saudável VEJA SAÚDE: Logo no início do livro, o senhor afirma querer oferecer uma análise “rigorosa e objetiva” sobre a longevidade, independente de interesses comerciais.
Em que momento percebeu que era preciso injetar uma dose de bom senso e ciência no debate público? Venki Ramakrishnan: Como as pessoas estão vivendo mais e, ao mesmo tempo, as taxas de fertilidade vêm caindo pelo mundo, a maioria das sociedades enfrenta um cenário em que a população acima dos 65 anos cresce rapidamente, enquanto o número de jovens em idade produtiva diminui.
Existe, portanto, uma necessidade legítima de compreender o envelhecimento e desenvolver tratamentos que promovam uma longevidade saudável.
Só que, em paralelo, boa parte das pessoas têm medo de ficarem velhas e de morrer.
Isso as torna bastante ansiosas e vulneráveis a inúmeras promessas de anos a mais de vida pela frente.
E sempre há alguém disposto a explorar essa fragilidade.
Continua após a publicidade Mas como podemos diferenciar um tratamento amparado em ciência do que é puro marketing em um mercado crescente de suplementos, testes e outras soluções vendidas como “anti-idade”? De fato, muitos desses produtos apresentam uma aparência científica e, às vezes, até se baseiam em resultados preliminares obtidos em experimentos com animais .
Então é difícil para o público distinguir o que vale a pena do que não passa de uma moda ou uma promessa exagerada.
Uma boa maneira de avaliar é perguntar se já foram realizados estudos clínicos controlados em seres humanos demonstrando que aquele tratamento ou suplemento é seguro e eficaz.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.