Cuidados paliativos deveriam começar já no diagnóstico do câncer
O Brasil envelhece em ritmo acelerado.
Segundo as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgadas em 2024, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023 e deve chegar a 37,8% em 2070.
Viver mais é uma conquista, mas traz consigo o aumento das doenças crônicas, entre elas, o câncer .
A longevidade só se realiza plenamente quando os anos adicionais são vividos com qualidade, autonomia e alívio do sofrimento.
É nesse cenário que os cuidados paliativos deixam de ser assunto de especialistas e passam a ser uma questão de saúde pública.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), eles são uma abordagem ativa voltada à qualidade de vida de pacientes e cuidadores que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida .
Continua após a publicidade Não se restringem à fase terminal: devem começar no diagnóstico e caminhar ao lado da quimioterapia, da radioterapia e da cirurgia.
As evidências sustentam os benefícios dessa integração precoce.
Um estudo publicado em 2010 acompanhou pacientes com câncer de pulmão metastático que, além do tratamento oncológico, receberam cuidados paliativos desde o início.
Continua após a publicidade Esses pacientes apresentaram melhor qualidade de vida e humor, receberam menos intervenções agressivas no fim da vida e tiveram sobrevida mediana maior : 11,6 meses, contra 8,9 meses entre aqueles que receberam apenas o tratamento oncológico.
A Sociedade Americana de Oncologia Clínica recomenda o encaminhamento para cuidados paliativos em até oito semanas após o diagnóstico.
Na prática, isso significa melhor controle de sintomas, menos idas ao pronto-socorro e menos internações .
Continua após a publicidade Apesar disso, muitos pacientes ainda chegam tarde .
As causas são conhecidas: formação médica voltada para a cura, dificuldade em comunicar notícias difíceis, falta de fluxos assistenciais definidos, escassez de equipes estruturadas e resistência dos próprios especialistas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.