Andar de montanha-russa pode causar lesões no cérebro e na coluna? Entenda
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Júlia Bossoni, 28, andou duas vezes na montanha-russa Montezum, do Hopi Hari, em Vinhedo (SP), em abril. Na segunda volta, voltou à plataforma desacordada e convulsionando.
Os exames mostraram uma hemorragia dentro do crânio e um grande edema cerebral. Segundo laudo médico citado pela família, a lesão ocorreu por um mecanismo de contragolpe durante o passeio. Não houve relato de uma pancada direta na cabeça.
Júlia ficou 57 dias internada, passou por sete cirurgias e perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo. Também ficou com dificuldades para falar e para lembrar de acontecimentos.
O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil investigam o caso e fizeram perícias na atração. Em nota, o Hopi Hari afirma que a Montezum tem certificação internacional, passa por inspeções periódicas e segue normas de segurança
Em uma montanha-russa, uma lesão cerebral pode ocorrer mesmo sem uma pancada direta na cabeça. O cérebro fica dentro do crânio, protegido por membranas e envolto por líquido, mas não está preso às paredes do osso.
Quando a cabeça muda de velocidade de forma brusca, o crânio acompanha o movimento, enquanto o cérebro tende a continuar se deslocando por causa da inércia.
É parecido com o que acontece quando um carro freia de repente: o corpo tende a continuar seguindo para a frente. Dentro da cabeça, o cérebro pode continuar se movimentando enquanto o crânio desacelera.
Dependendo da força e da direção do movimento, o cérebro pode se deslocar e se deformar, além de atingir as paredes internas do crânio e lesionar vasos sanguíneos. Quando uma lesão ocorre no lado oposto ao ponto de impacto, o mecanismo é chamado de contragolpe.
Pesquisadores já mediram esse movimento. Em um estudo publicado em 2017, sensores registraram os movimentos da cabeça de passageiros em diferentes montanhas-russas, e os dados foram usados para estimar o que acontecia com o cérebro.
O resultado mostrou que o cérebro realmente se desloca e se deforma durante o passeio. Isso, porém, não significa que esse movimento necessariamente cause uma lesão. Nos passeios analisados, os pesquisadores não encontraram evidências de traumatismo cerebral agudo.
A intensidade do movimento também não pode ser avaliada apenas pela velocidade da atração. A Montezum, por exemplo, chega a mais de 100 km/h, mas isso não significa que a cabeça seja acelerada nessa velocidade.
O que importa é quanto a velocidade e a direção mudam, em quanto tempo e como a cabeça se movimenta.
É aí que entra a força G, medida que indica a aceleração de um corpo em relação à gravidade .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.