Etanol e biometano avançam no transporte de cargas no Brasil
O avanço dos biocombustíveis para além do abastecimento convencional de veículos começa a abrir novas frentes para a transição energética no Brasil.
O primeiro abastecimento de um navio com etanol realizado no país e o uso de biometano no transporte rodoviário de açúcar foram temas do encontro do Lide Agronegócio durante a Fenasucro & Agrocana 2026 realizada na semana passada em Sertãozinho (SP).
Com o tema “Liberdade na Transição Energética e o Futuro do Petróleo” , o evento reuniu o ex-presidente da Petrobras e ex-senador Jean-Paul Prates e Henrique Araújo, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Copersucar.
Araújo detalhou a operação realizada em julho, a primeira de abastecimento de uma embarcação com etanol no Brasil.
O navio, com capacidade para transportar até 13 mil contêineres , recebeu 500 toneladas do biocombustível , fornecidas por meio de uma barcaça.
Leia Mais Produção de biometano deve saltar no Brasil até 2032 com novas plantas Análise: Margem Equatorial não deve frear os biocombustíveis Capital estrangeiro será decisivo para expandir produção de biocombustíveis A operação abre uma nova possibilidade de uso para o etanol brasileiro e pode contribuir para posicionar o país como ponto de abastecimento de embarcações internacionais.
A iniciativa ocorre em um segmento considerado de difícil descarbonização , no qual alternativas aos combustíveis fósseis precisam combinar escala, disponibilidade e infraestrutura de abastecimento.
Biometano no transporte de açúcar Outra frente tem sido aberta pelo uso de biometano no transporte rodoviário.
Por meio do Programa BioRota , a Copersucar já utiliza atualmente 80 caminhões movidos a biometano .
Segundo a empresa, os veículos já transportaram mais de 1 milhão de toneladas de açúcar das usinas até o Porto de Santos e terminais de transbordo.
Para Henrique Araújo, a expansão dessas aplicações mostra que a transição energética brasileira não precisa colocar em lados opostos agronegócio e produção de combustíveis renováveis.
De acordo com ele, o Brasil não precisa escolher entre agronegócio, biocombustíveis e transição energética, uma vez que essas frentes podem avançar juntas e constituem ativos energéticos, ambientais e geopolíticos para o país.
Biocombustíveis em setores de difícil eletrificação Na avaliação de Jean-Paul Prates, o avanço dessas tecnologias acompanha uma tendência de diversificação das alternativas para reduzir as emissões nos transportes.
Segundo ele, combustíveis renováveis para navios, SAF para a aviação e biometano para caminhões podem ocupar espaços específicos na transição energética, principalmente em segmentos nos quais a eletrificação enfrenta maiores desafios técnicos ou de infraestrutura.
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