Cury, Zema e Caiado trocam críticas em debate do Flow e disputam voto útil na reta final
Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) participaram nesta segunda-feira (21), em São Paulo, de debate promovido pelo Flow. Na reta final da campanha, os três buscaram se apresentar como alternativas a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), líderes nas pesquisas. Lula está nos Estados Unidos para a Assembleia Geral da ONU. Renan Santos (Missão) participava de uma sabatina no SBT. Flávio também não compareceu.
Zema criticou o governo Lula e afirmou que uma eventual reeleição do petista poderia permitir a indicação de mais quatro ministros com perfil semelhante ao de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato do Novo também explorou o caso Banco Master e afirmou que integrantes do PT estariam relacionados ao escândalo, citando Rui Costa e Jaques Wagner. Zema ainda criticou integrantes do Judiciário e mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Na discussão sobre segurança pública, Caiado afirmou que Cury não teria coragem para enfrentar o crime e disse que o adversário e a família ficariam “horrorizados” diante da violência no país. Cury rebateu e voltou a se apresentar como candidato da pacificação.
O escritor também criticou Flávio Bolsonaro ao discutir o Bolsa Família, afirmando que o senador sempre dependeu de salários provenientes do serviço público.
A permanência do Brasil no BRICS também provocou divergências. Zema defendeu a saída do país do bloco, enquanto Caiado afirmou que, neste momento, manteria o Brasil no grupo por considerar que relações comerciais não devem ser confundidas com ideologia.
Zema disse que o BRICS traz custos ao país, defendeu distância de governos autoritários, citando o Irã, e uma aproximação maior com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Cury, por sua vez, voltou a criticar a polarização entre direita e esquerda e defendeu sua candidatura como alternativa para pacificar o país.
Questionados sobre o chamado voto útil, os três defenderam a permanência na disputa, apesar da vantagem de Lula e Flávio nas pesquisas. Cury, Zema e Caiado argumentaram que a forte rejeição entre os eleitorados dos dois líderes abre espaço para uma alternativa.
Cury também descartou apoiar Lula ou Flávio em um eventual segundo turno entre os dois: “Vou deixar muito claro, nós vamos para o segundo turno e eu não vou apoiar nem Lula da Silva, zero. E nem vou apoiar o Flávio Bolsonaro”, declarou.
Anteriormente, Cury havia admitido apoiar Flávio sob determinadas condições, entre elas a comprovação de que o senador não estivesse envolvido em casos de corrupção.
O candidato do Avante ainda atribuiu aos algoritmos das redes sociais parte da queda nas pesquisas. Depois de chegar a 11% no fim de agosto, aparece com 6% na BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda. O levantamento mostra Lula com 40% e Flávio com 37%, tecnicamente empatados. Cury tem 6%, Caiado, 5%, Renan, 3%, e Zema, 1%. Foram ouvidos 2.006 eleitores, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Zema afirmou que ainda acredita em uma surpresa nas urnas e citou eleições anteriores para argumentar que pesquisas não determinam o resultado.
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