Carta aberta a Adélia Prado
Desculpa, Adélia. Perdoe este Brasil, que ainda não te descobriu. Ele anda ocupado demais com emas e problemas. Queria ser poeta e fazer rimas ricas para te enviar. Não me falta inspiração, mas não vejo em mim disciplina para estudar sobre métricas.
Também me sobra espírito crítico. Estou aprendendo a domá-lo para me permitir realizar devaneios criativos. Então cá estou, escrevendo esta carta com palavras escolhidas na pressa de um dia cheio.
Ainda não me conformei com a imperfeição da minha escrita. Sinto letras trêmulas saindo da ponta dos meus dedos, mas era urgente te escrever. Me arrisco.
Escrevo como quem passa um bilhete por debaixo da porta. São tempos duros com a ternura. Logo na minha vez de ser doce, a palavra áspera ganhou manchete e o amor precisou de disfarce.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.agazeta.com.br — o conteúdo pertence a A Gazeta (ES).