OVNI? Captura feita por rover da NASA em Marte cria teoria da conspiração na internet
Uma imagem desfocada, um detalhe de poucos pixels em uma paisagem desértica e a promessa de uma descoberta revolucionária.
Esse é o combustível que alimenta um dos fenômenos mais recorrentes da internet: transformar borrões e detalhes banais registrados no espaço em supostas evidências de um Objeto Voador Não Identificado ( OVNI ).
O caso mais recente envolve uma fotografia capturada em 20 de agosto de 2023 pela câmera de navegação (NavCam) do rover Curiosity, da NASA, na Cratera Gale.
O registro mostra um pequeno borrão escuro com silhueta vagamente semelhante a uma água-viva pairando sobre uma crista rochosa.
A imagem voltou aos holofotes após ser republicada no X pelo perfil de @KariSivertzen – conta conhecida na comunidade de “garimpeiros” digitais que vasculham arquivos brutos de agências espaciais em busca de anomalias.
Sol 3924: Right Navigation Camera This image was taken by NAV_RIGHT_B onboard NASA’s Mars rover Curiosity on Sol 3924 (2023-08-20T22:27:46.000Z) Credits: NASA/JPL-Caltech https://t.co/2byubDQ039 https://t.co/CnfCrodjcf pic.twitter.com/gog0FJEUVy — kari sivertzen (@KariSivertzen) August 12, 2026 O padrão de viralização segue uma fórmula bem definida: o registro bruto é ressuscitado nas redes sociais com enquadramentos sugestivos e migra para canais do YouTube, onde ganha uma roupagem de análise técnica rigorosa para validar teses sobre a presença de um OVNI no espaço.
Como dados reais podem distorcer a realidade Um dos exemplos desse mecanismo está no canal The Angry Astronaut .
Em uma análise de 15 minutos, o criador de conteúdo utiliza dados operacionais reais da NASA para construir uma ilusão de rigor científico e tentar provar a existência do suposto OVNI.
O apresentador cita a resolução exata das NavCams (sensores em preto e branco de 1 megapixel com 0,82 mrad/pixel), destaca o intervalo temporal de exatamente 13 segundos entre os quadros e realiza cálculos de trigonometria para estimar a distância (150 metros) e a velocidade mínima que o objeto precisaria desenvolver para sair do campo de visão (de 1,4 km/h a 35 km/h).
Imagem completa obtida pelo rover Curiosity,da NASA, em Marte, que alguns alegam ser um OVNI – Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS No entanto, a matemática e as especificações de hardware servem apenas como pretexto técnico para sustentar conclusões sem amparo metodológico.
A premissa central do vídeo ignora as explicações mais simples – como falhas de sensor, ruído de leitura ou pareidolia (efeito de ilusão de óptica) – para saltar diretamente a cenários extraordinários.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em olhardigital.com.br — o conteúdo pertence a Olhar Digital.