Traficante do PCC citado por Dino é denunciado por lavar dinheiro no RJ
O traficante do PCC (Primeiro Comando da Capital) André de Oliveira Macedo, vulgo André do Rap, 48, citado pelo ministro Flávio Dino durante o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) na última terça-feira (15), foi acusado em junho deste ano pelo MPF (Ministério Público Federal) por lavar dinheiro com a compra de um lote e a construção de uma mansão em Angra dos Reis (RJ).
Dino relembrou o caso de André do Rap durante a análise sobre a separação ou agrupamento dos processos envolvendo as condutas dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso do Banco Master. Antes de pedir vista e, assim, suspender a sessão extraordinária, Dino lembrou que o então ministro da Corte Marco Aurélio Mello determinou a soltura do traficante em outubro de 2020 . A decisão foi suspensa posteriormente pelo ministro Luiz Fux, mas àquela altura, André do Rap já estava solto e nunca mais foi localizado.
"É pena que até hoje o André do Rap está foragido", afirmou Dino no STF. Luiz Fuz respondeu, na sequência, que foi "culpa do Supremo". Dino complementou: "Não é culpa de Vossa Excelência, porque Vossa Excelência suspendeu [a decisão]".
André do Rap é foragido da Justiça há quase seis anos e está na lista internacional de procurados. Processo que corre na 6ª Vara Federal Criminal do Rio, obtido com exclusividade pelo UOL , mostra que a mansão onde André do Rap foi preso, em setembro de 2019, foi comprada no nome de uma laranja moradora de uma favela de São Vicente (SP) e desempregada. O MPF ofereceu denúncia contra o traficante e a laranja em junho deste ano.
Procuradoria afirma que André do Rap ocultou e dissimulou a propriedade do imóvel de luxo desde 10 de setembro de 2018. Segundo a acusação do MPF, Regiane Tartaglione dos Santos, 46, atuou como laranja do traficante, emprestando seu nome à transação formal. A defesa dela, nos autos, nega as informações da denúncia e diz que a mulher é inocente.
André do Rap possui ao menos duas condenações criminais transitadas em julgado por tráfico internacional de drogas. Quando foi preso, em 2019, ele tinha um helicóptero Eurocopter EC130, duas lanchas Azimut de 60 pés, múltiplas motos aquáticas e veículos de luxo. Tudo foi apreendido. Em outubro, de 2020, o traficante foi solto após o ministro Marco Aurélio Mello ter deferido dois habeas corpus em seu favor.
A investigação identificou que Regiane figurou como compradora formal do imóvel, localizado no Condomínio Porto Bracuhy. O terreno foi adquirido por R$ 1,1 milhão. A obra da casa de luxo chegou a R$ 2,2 milhões. O MPF aponta, juntando a compra do lote e a construção, que André do Rap gastou R$ 3,3 milhões no local.
Em agosto de 2018, um marinheiro conhecido como "Gil" procurou a empresa Porto Bracuhy Imóveis Ltda., perguntando se o Lote nº 17, Quadra 03, do local estava à venda. Segundo declarou, repassaria os dados à sua "patroa", cujo "administrador" entraria em contato. Em seguida, uma pessoa, que se identificou como "Carlos", contatou a imobiliária. "Carlos" negociou diretamente a compra e fechou o valor em R$ 1,1 milhão.
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