Como o choque do Bolsa Família virou oportunidade para reforçar o ‘Trade Flávio’
O anúncio do reajuste do Bolsa Família parecia reunir todos os ingredientes para interromper o chamado “Trade Flávio”.
O aumento de 15,04% no benefício acrescentará 5,8 bilhões de reais às despesas ainda neste ano e 22,7 bilhões de reais em 2027, reacendendo imediatamente a preocupação com as contas públicas.
O mercado reagiu como esperado: Bolsa caiu, dólar ganhou força e juros futuros subiram.
Algumas horas depois, porém, boa parte do movimento havia desaparecido.
O Ibovespa, que chegou a cair 1,24% e tocar os 183.242 pontos depois do anúncio, recuperou-se e terminou o pregão aos 185.992 pontos, em alta de 0,23%.
O dólar, que chegou a 5,177 reais, encerrou em queda de 0,25%, a 5,139 reais.
As taxas dos contratos futuros de juros também devolveram a alta provocada pelo susto fiscal.
Para Christian Lupinacci, sócio e CIO da Lev Asset Management, a reação configurou um “news failure colossal” — quando uma notícia inicialmente provoca o movimento esperado nos preços, mas não consegue sustentá-lo.
Na avaliação do gestor, duas forças se retroalimentaram durante o pregão: a percepção, entre determinados agentes, de que Lula pode perder a eleição e o fato de investidores já estarem “bem comprados e dispostos a defender a posição”.
É essa segunda parte que ajuda a explicar o que aconteceu.
No mercado, defender uma posição na qual existe convicção não significa apenas se recusar a vender.
Quando um choque derruba o preço de um ativo sem alterar a tese que levou à compra, a queda pode ser tratada como uma abertura de oportunidade.
Quem já estava posicionado pode aumentar a exposição a preços menores; quem ainda tinha pouca exposição encontra um ponto de entrada.
As próprias compras feitas nessas janelas ajudam a reduzir a queda e podem acabar fortalecendo novamente o movimento original.
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