Na contramão da geração de empregos, comércio varejista demite 46 mil
O varejo brasileiro fechou 45,9 mil postos de trabalho com carteira assinada no primeiro semestre de 2026 – o pior resultado para o período desde 2020.
Enquanto isso, o mercado total gerou 921 mil empregos líquidos no mesmo intervalo, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Para especialistas, o movimento é influenciado por uma tempestade perfeita que se sobrepõe à taxa de desemprego nas mínimas históricas: juros altos, economia perdendo força, explosão das bets (que comprometem parte da renda) e a migração do consumidor para o ecommerce.
A tendência é que o desempenho do setor continue fraco nos próximos meses.
De um lado, o cenário macroeconômico adverso segue pressionando margens e vendas.
De outro, o mercado ainda vai sentir o impacto da demissão de cerca de 3.000 funcionários pela Casas Bahia, que pediu recuperação judicial no último domingo (16) e anunciou o fechamento de 298 lojas.
Comércio varejista elimonou vagas No primeiro semestre, o comércio varejista, que responde por 68% do estoque de vagas do comércio como um todo, só gerou vagas em três meses: em março, maio e junho.
No primeiro semestre do ano passado, criou 23,7 mil vagas, de acordo com os dados do Caged.
Quando se olha para os números por grandes setores, o comércio foi o único que eliminou vagas no primeiro semestre (-3.500), contra uma criação de vagas de 571,9 mil em serviços, 168,9 mil na construção, 143,4 mil na indústria e 40,8 mil na agropecuária.
Casas Bahia enfrenta ações de despejo de lojas e galpões logísticos O rombo só não foi maior porque, além do varejo, o setor também é formado pelas empresas de venda de automóveis e motos, que geram vagas pelo crescimento do uso de aplicativos de entrega e transporte, e atacadistas, que também estão no azul por sentirem menos o efeito do endividamento elevado da população.
“O financiamento ao consumo ficou ainda mais caro, e isso pesa em setores de bens duráveis, como eletroeletrônicos e móveis, que dependem muito de parcelamento”, observa o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence.
Dados do Banco Central ajudam a mensurar a piora nas condições para empréstimos.
A taxa de juros a pessoas físicas com recursos livres (medida que exclui financiamento imobiliário e rural) ficou em 64% ao ano em junho, contra 59,4% ao ano há um ano, segundo os últimos dados do Banco Central.
Os juros do cartão de crédito estão em 97,4% ao ano, ante 92,1% em junho de 2025.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.