PGR: PF não apontou negócio fechado entre governo e Careca do INSS
A Procuradoria-Geral da República ( PGR ) afirmou que a Polícia Federal ( PF ) não apontou a conclusão de nenhum negócio entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “ Careca do INSS ”, e o poder público, apesar do lobby da empresária Roberta Luchsinger e de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A afirmação consta em uma manifestação enviada pela PGR ao gabinete do ministro do STF André Mendonça no início de agosto para pedir que o inquérito que apura suposto crime de tráfico de influência de Lulinha e Roberta Luchsinger seja remetido para a Justiça de primeira instância .
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1 de 3 Fábio Luís da Silva, o Lulinha Reprodução/Redes Sociais 2 de 3 Roberta Luchsinger, empresária amiga de Lulinha e investigada pela Polícia Federal Reprodução 3 de 3 Empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto “Embora tenham sido identificados pagamentos feitos por Camilo Antunes a Roberta Luchsinger, a representação não menciona a conclusão de nenhum negócio entre o empresário e o poder público, que pudesse sugerir o efetivo atendimento às pretensões que o grupo se propôs a agenciar”, diz a manifestação da PGR, assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, em 6 de agosto.
No documento, ao qual a coluna teve acesso, a PGR analisa o inquérito aberto por André Mendonça a partir de uma representação da PF que aponta suposta atuação de Roberta e Lulinha na promoção de interesses empresariais do Careca do INSS no mercado de canabidiol junto ao governo federal.
Segundo a investigação, os dois teriam atuado na interlocução com autoridades que poderiam facilitar os interesses comerciais do empresário.
A manifestação também menciona pagamentos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula .
Segundo a representação da PGR, Marcola poderia oferecer apoio para a consecução dos objetivos do grupo, inclusive junto ao então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Berger Barbosa, que a PF aponta como possível facilitador dos interesses do empresário no mercado de canabidiol.
Na manifestação, a PGR faz uma ressalva importante sobre o estágio das apurações.
O órgão afirma que os elementos apresentados sugerem uma possível hipótese criminalmente relevante, mas destaca que a representação da PF não registra, no contexto delimitado pela investigação, a participação concreta de uma autoridade que tenha foro no STF.
Para a PGR, a competência penal originária do Supremo exige elementos concretos da efetiva participação de uma autoridade com prerrogativa de foro nos crimes investigados.
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