Trumpistas usam derrotas da esquerda na América Latina para defender desmonte da ajuda externa
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O presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , seu filho mais velho e influenciadores conservadores passaram a atribuir as vitórias eleitorais da direita na América Latina ao desmonte da agência americana de ajuda externa , sob o argumento de que recursos favoreciam partidos e governos de esquerda.
A tese, porém, não tem comprovação e reforça acusações de interferência nas eleições brasileiras de 2022 já investigadas pela Folha , que não encontrou evidências para sustentá-las.
A narrativa voltou a ganhar força após o primeiro turno das eleições brasileiras, no último domingo (4), e integrantes do movimento Maga (sigla em inglês para "faça a América grandiosa novamente") a tem difundido. Eles associam os resultados das urnas aos cortes promovidos pelo governo Trump na Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) em 2025.
"Desde que desmantelamos a Usaid, a esquerda não ganhou uma única eleição presidencial na América Latina", escreveu Donald Trump Jr. em publicação mais tarde compartilhada pelo pai.
"Bilhões em dinheiro dos contribuintes financiavam ONGs, programas de democracia e redes de ativistas que convenientemente sempre apoiavam o mesmo lado. Eles chamavam isso de ajuda, mas era interferência eleitoral", acrescentou o filho do republicano, que agradeceu a Elon Musk por ter exposto o suposto esquema.
Ex-assessor especial de Trump e responsável pela atuação do extinto Departamento de Eficiência Governamental (Doge), Musk liderou a ofensiva contra a Usaid, marcada por cancelamentos de contratos, cortes de recursos e demissões em massa.
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O argumento contraria o histórico político da agência, segundo especialistas ouvidos pela Folha . "É justamente o contrário", afirma Alex Main, pesquisador do CEPR (Centro de Pesquisa Econômica e Política), sediado em Washington, sobre a acusação de que a Usaid sustentava governos e movimentos de esquerda na América Latina.
Criada em 1961, durante a Guerra Fria , a agência integrava a estratégia americana de conter a expansão do comunismo e fortalecer governos aliados na região e, portanto, foi agente de política externa de diferentes governos.
Main diz que a maior parte dos recursos ia para programas humanitários e de desenvolvimento, mas os financiamentos políticos historicamente apoiavam organizações de direita e o enfraquecimento da esquerda.
Como exemplos, cita o apoio não militar aos Contras, grupos paramilitares que combatiam o governo sandinista na Nicarágua nos anos 1980, e a assistência à oposição venezuelana liderada pelo presidente autodeclarado (e reconhecido pelos EUA) Juan Guaidó.
Segundo Main, os programas humanitários também buscavam fortalecer aliados de Washington e reduzir o apelo da esquerda.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.