Regulamentação da reforma tributária vira pesadelo para empresas
A regulamentação da reforma tributária está virando um pesadelo para empresários às vésperas da eleição.
Executivos e presidentes de associações ouvidos pelo Radar Econômico nesta semana relatam crescente preocupação com a possibilidade de definições importantes ficarem para depois da disputa presidencial, comprimindo ainda mais o prazo para adaptação das empresas.
O problema existe mesmo se o atual governo continuar.
A partir de janeiro, a reforma entra em uma etapa decisiva: a CBS passa a ser cobrada efetivamente, PIS e Cofins saem de cena e começa a valer o Imposto Seletivo, o chamado “imposto do pecado”.
Ao mesmo tempo, mecanismos que mexem diretamente com o caixa das companhias, como o split payment, seguem em processo de implementação.
Receita Federal e Comitê Gestor do IBS continuaram publicando atos e cronogramas técnicos ao longo de julho e agosto.
Para as empresas, não se trata apenas de aprender a pagar um novo imposto.
A mudança exige adaptações em sistemas de gestão, emissão de notas fiscais, formação de preços, contratos, relação com fornecedores e planejamento de caixa.
O próprio governo reconhece a necessidade de testes e ajustes técnicos e já escalonou prazos de documentos fiscais para outubro, dezembro e até janeiro de 2027.
A apreensão é ampliada pelo ambiente econômico.
Empresários relatam dificuldade para fazer investimentos e planejar 2027 em meio a juros elevados, crédito caro e desaceleração de alguns setores.
Nesse contexto, gastar com tecnologia e reorganizar operações sem ter total segurança sobre como funcionarão todas as engrenagens do novo sistema passou a ser visto como mais um fator de pressão.
Continua após a publicidade Há ainda um segundo cenário considerado mais turbulento.
A campanha de Flávio Bolsonaro já avisou que pretende revisitar a reforma tributária em caso de vitória.
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